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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ciano traz entrevista com Gui Bonsiepe


É com grande satisfação que anunciamos o lançamento de mais uma edição da nossa revista digital Ciano. Nesta edição você irá encontrar uma interessante entrevista com Gui Bonsiepe, renomado designer industrial, ex-aluno e ex-professor na Escola de Ulm, que desenvolveu extenso trabalho, tanto teórico quanto prático, na América Latina, em especial, Chile, Argentina e Brasil. E ainda, teremos ricos textos de nossos colunistas, complementando e ampliando ainda mais esta edição.
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"O design não-político não existe"



Em breve, uma nova edição da revista Ciano, trazendo uma memorável entrevista com Gui Bonsiepe. Cadastre seu e-mail e receba a Ciano em sua caixa postal.

Circuito Design OK reúne lançamentos para 2012 em São Paulo

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O tal "bom desenho"

Volta e meia me vejo em discussões sobre este ou aquele padrão de gosto. Já escrevi várias vezes, inclusive no meu livro “Um designer sozinho não faz milagres” que não se pode impor a beleza para quem não a vê.

Um exemplo? Embora eu admire muito o trabalho do Sergio Rodrigues, acho horrorosa a Poltrona Chifruda. Por outro adoro a cadeira Hill House, mas admito que é uma homenagem ao desconforto. Ambas são classificadas como o tal “bom desenho”.

Bom desenho pra quem?
De acordo com Dieter Rams (1932), designer industrial alemão e um dos mais influentes do século XX, estes seriam os dez princípios do Bom Desenho: 

O bom desenho é inovador
O bom desenho é funcional
O bom desenho é estético
O bom desenho é inteligível
O bom desenho é discreto
O bom desenho é honesto
O bom desenho é durável
O bom desenho é consequente
O bom desenho é sustentável
O bom desenho é minimalista

O problema, de novo, é que nem o minimalismo, nem a discrição, e nem mesmo a durabilidade são qualidades apreciadas por todos. A sociedade global do século XXI passou a valorizar produtos efêmeros, maximalistas, com forte identidade ou apelo emocional e que nunca serão unanimidade.

Outro dia ouvi um slogan no rádio que achei perfeito. Dizia: “O melhor vinho é aquele que agrada seu paladar”. Achei perfeito! Se determinada combinação de uvas e técnicas não me agrada, então de nada servem as classificações e indicações de especialistas... A indústria da moda também percebeu há tempos que não há como classificar e indicar o que é melhor. Alguém já ouviu falar em “boa moda”?

Mas voltando ao assunto design, minha pergunta é: quem pode assegurar hoje o selo de “bom desenho” para um produto?

Eu sempre defendi a idéia de que é preciso desenvolver a crítica de design no Brasil. O que observamos hoje são editoriais recheados de clássicos modernos e infelizmente os poucos veículos de informação especializados em design tendem a nomear de bom design aquilo que mais agrada seus editores. Eu sei, eu sei, essa é uma fraqueza humana: todos nós tendemos julgar belo aquilo que nos agrada. Mas nem por isso uma editora tem o direito de desconsiderar um produto-sucesso-de-vendas só porque ela não gosta da cor, do estilo, do designer ou da madeira... Sem falar na força dos editoriais pagos, que carimbam um monte de tralhas como “bom desenho”.

E tem mais: os prêmios de design, que em teoria deveriam ser uma chancela do bom desenho brasileiro, muitas vezes premiaram cópias descaradas do design internacional ou dos chamados clássicos. Essas cópias vêm etiquetadas como “releitura” ou “tributo”, dependendo do grau de amizade que o designer tem com quem manda. E no Brasil o produto que ganha um concurso vira “bom desenho” mesmo que não seja.

Todo mundo fala em inovação, em economia criativa e na importância de se desenvolver o design brasileiro, mostrando para o mundo nosso potencial. Mas para isto acontecer seria preciso que a indústria divulgasse o nome dos designers nos seus anúncios para o mercado, prestigiando os bons profissionais. Também seria preciso organizar um prêmio totalmente gerenciado por Designers atuantes e conhecedores da indústria e do mercado, sem vínculo com empresas ou com a imprensa (como o Compasso d‘Oro, da ADI italiana).

Outro pequeno detalhe: no mundo real quem vende design são os arquitetos, e a maioria deles quer mesmo o bom e velho design italiano, maciçamente publicado nas revistas e a um precinho bem camarada (não importando inclusive se são cópias). Para o arquiteto que especifica produtos visando a RT, o bom desenho é mero detalhe.

E finalmente, caro leitor, quero esclarecer que estas minhas observações referem-se ao Design sinônimo de Desenho Industrial. Quando questiono a classificação “bom desenho” estou visando móveis e outros produtos de produção seriada, que movimentam indústrias e alimentam o varejo de decoração no Brasil. As séries autorais e o design-arte não são alvos deste artigo porque gosto não se discute.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Como foi a palestra "Design - o Único a Diferenciar a Marca" - Karim Rashid


Ontem tive a oportunidade de assistir uma palestra com o figura do Karim Rashid, que faz parte do ciclo de palestras da 43ª House & Gift fair, organizada pela Grafiteiras.

Vou falar um pouco aqui sobre a palestra e se esquecer alguma coisa, aqueles que assistiram também acrescentem aí nos comentários.

Não entrando no mérito do gosto ou não gosto, porque sei que se tratando de Karim Rashid, ou a pessoa adora ou odeia. Foi uma palestra muito bacana e vou ressaltar umas coisas que foram ditas.

Ele falou uma coisa muito legal sobre a importância de você criar uma solução ORIGINAL, não só no design, mas em todas as outras áreas, seja por uma produto ou uma nova forma de fazer uma cirurgia, a partir do momento que você faz algo original, que nunca foi feito antes e que venha se destacar de alguma forma, você deixa de ser só mais uma pessoa das bilhões que existem no mundo, e a partir desse momento você escreve algo novo na história da humanidade. Pra ficar mais claro, MAC, IPOD, e companhia são marcos que sempre serão lembrados na história. Daí eu te pergunto "o que você como designer quer deixar pra contribuir com o mundo?"

Antigamente, segundo Karim, quando algo novo era criado, as pessoas sentiam necessidade de ter outra coisa já existente para associar, por exemplo o microondas que foi feito semelhante a TV, existia um certo "medo" ou receio por coisas novas, então se via necessário fazer tudo parecido com alguma coisa.  E hoje as coisas mudaram, as pessoas estão mais suscetíveis para o novo, as pessoas criaram um desejo pelo novo, pelo diferente, o Ipod quando lançado não existia nada que pudéssemos associar ou lembrar, era totalmente novo e foi o sucesso.    

Apesar de concordar, achei essa parte engraçada, porque quando você fala, por exemplo, de mercado moveleiro no Brasil, muitas vezes (só para não generalizar) parece que nunca saímos da época antiga, supondo que você crie um móvel totalmente original e diferente, vai lá bate na porta do fabricante (façam o teste e depois me digam se estou errado), vocês muito provavelmente vão escutar um "isso é muito diferente, não vai vender". Mas vamos ser otimistas, digamos que o fabricante tope, daí o fabricante vai apresenta pro lojista e muito provavelmente esse vai dizer " isso é muito diferente, não vai vender". Vamos mais longe, supondo que o lojista tope também, você ainda corre o risco de ir pra vitrine da loja e o consumidor olhar o produto, achar bacana, mas atravessar a rua e comprar nas Casas Bahia em 12x daqui a 30 dias. Muitos fabricantes, LOOOJISSTAAAAAS e consumidores ainda tem esse medo de mudar, medo de coisas novas e do desconhecido. Então eu acho que é importante entender que isso não se aplica a todos os casos, muito provavelmente esse consumidor que falei não é o mesmo que ficaria dias numa fila pro lançamento do Ipod, saibam onde cada um se encaixa.

Mas uma coisa que ele disse que concordei plenamente foi que as pessoas estão mais abertas a coisas novas que façam sentido, que tenham alguma coisa a acrescentar.

Se as pessoas estão querendo coisas novas, o que nós como designers estamos esperando? O que você que tá lendo esse post, que nunca apresentou uma idéia a empresa nenhuma, se formou e nem se lembra a ultima vez que colocou a ponta do lápis no papel, está esperando o que?

Fala tambem de muitos outros conceitos que mudaram também, cita um exemplo de uma empresa que fez os primeiros aparelhos de som menores, que na época todos eram grandes, as pessoas não quiseram pagar mais por um aparelho menor, hoje quanto menor mais nós queremos pagar.

Outra coisa interessante que ele falou foi das 4 dimensões do design. Como todos sabem ele acha o mundo muito cartesiano, que o homem inventou a linha reta, que na natureza não existe nada reto. Antigamente tudo eram muito 2 dimensões, retas x e y e tudo reto, hoje já é mais explorado as 3 dimensões, produtos são mais organicos, formas são mais exploradas e pra ele a 4 dimensão se refere ao emocional, acredita que os produtos vão cada vez mais criar vinculos emocionais com os consumidores, Steve Jobs que o diga.

Pessoalmente acredito muito nessa parte de design emocional, sinto isso na prática, quando desenho um produto que só me inspira o cliente, vendas, capacidade produtiva, publico alvo, etc, não me dá o mesmo tesão de quando desenho produtos que de alguma forma mexam com o emocional do usuário. Produtos que quando a pessoa olha dá risada, tem vontade de abraçar, cria um vinculo emocional, reage de alguma forma, do que aquele produto que só te atrai por ser bonito. Cada vez mais sou mais adepto ao design emocional.

Bom galerinha foi isso, para aqueles que não puderam ir esperam que curtam aí,

sábado, 6 de agosto de 2011

Revista Ciano no.0


Revista digital colaborativa com compromisso em incentivar a reflexão sobre os rumos do design.

leia aqui o caderno Principal

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Complemento Bases
Compartilhando conhecimentos..

Complemento Projeto
Questionando a forma como projetamos.

Complemento Filosofia
Reflexões sobre o design com um olhar filosófico.

Complemento Horizontes
Perspectivas para o futuro do design.

sábado, 23 de julho de 2011

Design Thinking - Design Social na USP

Curso na EACH pretende desenvolver capacidade criativa a partir de novo modelo de ensino

Lucas Rodrigues / USP Online
lucas.mariano.rodrigues@usp.br

Quando pensam em design, as pessoas geralmente associam a palavra a diferentes práticas: da fabricação de produtos inovadores e da organização do interior de residências à criação de trajes inusitados nas grandes semanas de moda. O que muitos desconhecem, entretanto, é que para todas essas atividades criativas existe um processo lógico de produção envolvido, que requer, na maioria das vezes, o conhecimento profundo do público que determinado produto ou serviço pretende atingir.


Há algum tempo, essa metodologia própria dos designers, chamada de Design Thinking, vem sendo aplicada, também, em outras áreas do conhecimento. É o que propõe o curso de difusão Construindo competências colaborativas interdisciplinares e criatividade na resolução de problemas da sociedade — Uma introdução prática ao Design Thinking.

Alinhado ao modelo de Aprendizagem Baseada em Problemas e Projetos (ABPP), que faz parte do projeto acadêmico da EACH, o curso tem a intenção de enriquecer essa experiência na Escola, e de capacitar profissionais que atuem com a perspectiva de “aprender fazendo”.

Design Thinking na USP

A ideia de trazer essa metodologia para a USP surgiu quando, em 2008, Ulisses Araújo, professor da EACH e coordenador do curso, lecionou como professor convidado na Universidade de Stanford (EUA). O modelo utilizado em Stanford interessou o professor, que decidiu aplicar , também na EACH, essa prática que consiste na busca de problemas e soluções através da aproximação de profissionais de diversas áreas com membros da sociedade.

Composto por professores, alunos da graduação e da pós, assim como membros das comunidades beneficiadas, o público participante do curso será dividido em grupos de trabalhos e terá que elaborar problemas e encontrar soluções criativas para cada um deles. “O que a gente busca é uma articulação com a comunidade”, afirma Araújo.

Durante 12 semanas, os participantes desenvolverão suas ideias a partir de diferentes temas. Entre alguns assuntos já definidos, estão a promoção do desenvolvimento local por meio da área têxtil, a criação de um banco popular utilizando tecnologia da informação, a questão da acessibilidade para pessoas na terceira idade com problemas mentais, além de outros projetos na área da educação.

No final do curso, cada grupo apresentará o seu projeto em uma espécie de feira. Os resultados, porém, não precisam ser necessariamente materiais. “[O grupo] tem que ter elaborado um produto, um processo ou uma política”, explica o professor. Dessa forma, o propósito da experiência é estimular a criação, a elaboração de problemas, e a procura por diferentes metodologias de trabalho.
Outra medida que tem o objetivo de implementar o modelo do Design Thinking na EACH é a criação do Laboratório de Design, Inovação e Criatividade, que será responsável por utilizar esse método para desenvolver projetos focados em mudanças sociais. De acordo com Araújo, a intenção do Laboratório é que “todo projeto tenha um impacto social”.

Origens do método

O Design Thinking como modelo de ensino surgiu, inicialmente, na Universidade de Stanford. Segundo Reinhold Steinbeck, professor visitante de Stanford, que ministrará o curso de difusão na EACH, antes mesmo de ser implementado nas salas de aula, o Design Thinking já era um processo utilizado em muitas empresas. A diferença é que o método não tinha esse nome e não estava necessariamente ligado a uma forte aproximação voltada para o ser humano.

Para Steinbeck, “um dos maiores propósitos das universidades, hoje em dia, é criar a próxima geração de 'inovadores'”. Ele afirma, porém, que as instituições educacionais não estão oferecendo as habilidades e ferramentas necessárias para que os alunos desenvolvam ideias inovadoras para problemas cada vez mais complexos. Dessa forma, no universo acadêmico, esse método se desenvolveu a partir da “necessidade de trazer a competência da criatividade e a confiança de volta ao processo de ensino e aprendizado”, explica Steinbeck.

Apesar de concordar com o fato de que é preciso que mais pesquisas sejam feitas acerca da eficácia do Design Thinking, Steinbeck está convencido de que os alunos são mais engajados e alcançam melhores resultados quando trabalham com projetos do mundo real em áreas que os interessam. Além disso, acredita que o trabalho em grupos heterogêneos possibilita aos estudantes “a oportunidade de serem inovadores, criativos e colaborativos”, características que, para ele, serão muito cobradas no século XXI.

Steinbeck explica que existe, ainda, a possibilidade de que essa metodologia se expanda para outras Escolas e Faculdades da USP, como a Escola Politécnica (Poli). “Prevemos que a USP se tornará um ponto central para o Design Thinking no Brasil e na América Latina”, completa o professor.


Extraido de: DECE


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Victor Papanek: de maldito à ídolo

De maldito a ídolo: conheça a trajetória do designer norte-americano Victor Papanek


De Alice Rawsthorn - (Artigo extraido do UOL)

Como você se sentiria se tivesse escrito um livro que, em suas próprias palavras, fosse "ridicularizado ou barbaramente agredido" pelos seus colegas?
Ou se você fosse forçado a se afastar de uma entidade profissional, que, em seguida, ameaçasse boicotar uma exposição no Centro Pompidou, em Paris, se seu trabalho fosse incluído?

Todas esses afrontas -e mais- foram infligidas ao designer Victor Papanek depois da publicação do seu livro de 1971 "Design for the Real World".

Por quê?
Há uma pista na frase de abertura:

"Há profissões mais prejudiciais do que o design industrial, mas são poucas".

Papanek saiu acusando seus colegas designers pela produção de baixa qualidade, trabalho estilizado que desperdiçou recursos naturais, agravou a crise ambiental e ignorou suas responsabilidades sociais e morais. Doeu! Quatro anos mais tarde, ele foi descrito pela revista “Design” como uma pessoa “de quem seus próprios contemporâneos não gostava, e até desprezavam."

No entanto, Papanek riu por último. Em 1985 em seu prefácio à segunda edição de "Design for the Real World" (no Brasil, “Arquitetura e Design -Ecologia e Ética), ele observou com orgulho que a primeira edição havia sido traduzida para mais de 20 línguas e havia se tornado "o livro sobre design mais lido do mundo".

Ele morreu em 1998, mas 40 anos depois da primeira publicação, seu livro ainda é impresso e continua muito influente -e Papanek é louvado como um dos pioneiros do design sustentável e humanitário. Como diz Zoë Ryan, presidente da área de design e arquitetura no Art Institute of Chicago, "sua abordagem parece mais relevante do que nunca em tempos desafiadores como os de hoje."

Obra influente
Papanek foi até mesmo abraçado pelas autoridades do design. Seus arquivos foram recentemente adquiridos pela Universidade de Artes Aplicadas de Viena, que vai inaugurar a Fundação J. Victor Papanek em novembro, com um simpósio sobre o seu legado. A fundação também está colaborando com o Museu de Artes e Design, em Nova York, para apresentar o prêmio J. Victor Papanek Social Design.

Por que um livro de 40 anos se mostrou tão duradouro? Papanek escreveu vários outros livros sobre temas semelhantes, mas nenhum teve o impacto de "Design for the Real World". De fato, nenhuma obra sobre design teve tamanha influência.

"Design for the Real World" é, por qualquer definição, uma boa leitura, escrita com entusiasmo, convicção e autoridade. O arquiteto americano William McDonough, que o leu quando ainda um estudante de arte, em 1971, considera o livro como algo “muito simples, no entanto, curiosamente sofisticado: humanista, inteligente, sagaz e divertido."

O texto de Papanek foi criado com base em sua bagagem. Nascido na "Viena Vermelha", em 1927, quando a capital austríaca era governada por radicais social-democratas, ele teve uma educação particular na Inglaterra antes de se estabelecer nos Estados Unidos, em 1939.

"Falsos desejos"

Frequentou o curso noturno de arquitetura e design na Cooper Union, em Nova York, no final dos anos 40, e estudou na escola de arquitetura dirigida por seu herói, Frank Lloyd Wright, em Taliesin West, no Arizona. Mais tarde, Papanek se matriculou em um curso de engenharia criativa no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Ele tentou a sorte com design comercial, mas detestou a experiência. "Design for the Real World" inclui uma dolorosa descrição de "meu primeiro, e espero que o meu último, encontro com ... o design cosmético" -um rádio portátil. Papanek buscou então uma carreira em pesquisa e ensino de design, principalmente projetos antropológicos realizados enquanto vivia entre Navajos, Inuits e outras comunidades indígenas.

No início dos anos 1960 ele já havia criado muitos dos princípios articulados em "Design for the Real World". Numa palestra em 1964, na Rhode Island School of Design, Papanek repudiou o design comercial como sendo "a perversão de uma grande ferramenta", e convocou os designers a satisfazer necessidades genuínas ao invés de "falsos desejos”.

Mais críticas do que propostas
Começou a escrever "Design for the Real World" no ano anterior. O texto final expressa sua visão sobre o design, acompanhado por uma variedade estonteante de referências, inclusive textos de Hermann Hesse e Arthur Koestler sobre as habitações da Drop City, uma comuna dos anos 1960 no Colorado, e uma fazenda californiana de porcos, cuja energia era gerada pelo estrume dos seus mil suínos.

"Design for the Real World" estava longe de ser impecável. Como muitos dissidentes, Papanek é mais forte criticando o status quo do que proporcionando alternativas (a fazenda de suínos energizada por esterco e o rádio que ele projetou a partir de lata cera de parafina e esterco de vaca pensando nos países em desenvolvimento eram excessões).

Ele próprio admitiu, no prefácio da segunda edição, que seu relato original sobre a contribuição que os designers ocidentais poderiam fazer para os países em desenvolvimento tinha sido "condescendente", subestimando o quanto eles poderiam aprender ali. Mas ele defendeu suas análises sobre a crise ambiental e as fraquezas da indústria de produtos manufaturados.

Abordagem inclusiva
Tais problemas vêm piorando desde então, e a visão corrigida de Papanek sobre o potencial do design para as economias em desenvolvimento é hoje amplamente aceita. As redes voluntárias, como o Project H e Architecture for Humanity permitiu que milhares de designers participassem de tais projetos. As mesmas idéias pelas quais Papanek já foi ridicularizado parecem cada vez mais prescientes.

O mesmo pode ser dito em relação a sua capacidade de apreciar as dimensões morais e sensuais do design. O designer suíço Yves Behar conheceu Papanek quando era estudante, na década de 1990, quando o veterano radical estava obcecado em repensar as viagens aéreas. "Ele imaginava grandes e confortáveis aviões ecológicos, econômicos e muito divertidos de se estar, com piscinas e academias de ginástica em pleno ar", disse Behar.

Papanek não foi o primeiro designer a defender uma abordagem inclusiva e sustentável para o design -R. Buckminster Fuller fez o mesmo nos anos de 1920- mas sua visão era surpreendentemente coerente. Seus sucessores passaram pelas tarefas mais difíceis e, em geral, mais maçantes, de explicar a logística de suas implementações. McDonough e o químico alemão Michael Braungart se prestaram ao desafio no livro "Cradle to Cradle" (de 2002, sem tradução no Brasil), mas é um raro exemplo de sucesso, e "Design for the Real World" ainda brilha como uma inspiração para os jovens designers.

"Foi um dos primeiros textos que li e que surgia com tanta urgência e com comentários tão crus e corajosos", disse Emily Pilloton, co-fundadora do Project H. "Eu tenho a maior consideração por Papanek, não só como grande pensador, mas como agitador."


Veja outros links de design sustentável e design social no DECE.



terça-feira, 7 de junho de 2011

O Design como pensamento estratégico

Como designer e analista de sustentabilidade sempre recebo a mesma pergunta vinda dos empresários de diferentes setores:

“Para que eu preciso de um designer se a minha empresa não projeta, nem desenvolve um produto físico? Eu trabalho com serviços, com o intangível!”

Como já me cansei de responder essa questão uma e outra vez, melhor escrever este artigo e quando alguém no futuro me perguntar, direcionarei a pessoa para este link!

Caro empresário brasileiro, o design acima de tudo, aporta para a sua empresa um “pensamento estratégico" – criativo, de inovação, independente se ela desenvolve produtos físicos ou não.
Esse pensamento estratégico gera novas, e aperfeiçoa as já existentes, vantagens competitivas da empresa no mercado e frente a seus concorrentes, na forma de novos modelos de negócios, novos serviços – experiências – percepções de sua empresa para o consumidor e etc.

Um exemplo conhecido é a Apple. Steve Jobs sempre foi um “design thinker” de primeira classe, ele sempre entendeu perfeitamente o valor e a aplicação do design como um pensamento estratégico – inovador para gerar inovação à todos os níveis possíveis, desde processos de engenharia (tangível) até criação de novos estilos de vida (intangível)!
Sem o design, desde essa perspectiva, dificilmente produtos com Ipad, Iphone, e serviços derivados deles e ultimamente o Icloud teriam surgido no mercado, criando infinitos novos mercados e conservando mercados já existentes

Esta qualidade criativa e inovadora é algo natural, inerente ao designer, pela sua mesma formação profissional, leva-o a ter sempre uma visão e abordagem sistêmica sustentável e a capacidade de entender e integrar as diferentes disciplinas dentro de uma empresa.

O design é sempre um catalisador de inovações, a qualquer nível que seja aplicado!

 O design é vital para que a empresa seja sustentável e inovadora em todas as suas dimensões (ambiental, social e econômica) funcionando também como um elemento unificador, criador e consolidador da cultura sustentável da empresa, em todos os níveis.
Frustrante verificar que comitês de sustentabilidade nas empresas, prêmios às melhores empresas sustentáveis, e até empresas certificadoras, não tem nenhum designer, afinal elas não produzem nenhum produto físico!

Mas tem que decidir o que é estratégico, sustentável e inovador!

Isso porque não entendem ou não conhecem o beneficio do "design como pensamento estratégico em um contexto global corporativo”, e ainda acreditam muito erroneamente que um bom engenheiro especializado em gestão ambiental, processos, junto com administradores e financeiros “verdes” será mais do que suficiente para gerar novas dinâmicas sustentáveis internas e externas.
Sem o designer e a sua visão, as dinâmicas sustentáveis da empresa serão limitadas, conservadoras e de curto prazo.
Ela será sustentável sem o designer, importante dizer, mas não terá todo o seu potencial mapeado, conhecido e explorado.

É hora do empresário brasileiro deixar para atrás essa visão obsoleta de que o design somente é necessário caso a empresa desenvolva produtos físicos.

O design não existe mais apenas como um elemento físico – industrial para manufatura.
Caso ele queira realmente ser sustentável e inovador, precisará sempre do design como pensamento para a inovação e sustentabilidade!

Já esta na hora do design ser percebido como um pensamento estratégico – criativo – inovador vital para a sua empresa, em todos os sentidos.
Ele deve ter o seu respectivo lugar de destaque na busca da sustentabilidade empresarial brasileira neste século 21.

Afinal, visões conservadoras e quadradas, em qualquer âmbito da ação humana, não podem gerar sustentabilidade criativa e muito menos inovação!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Livro: Um designer sozinho não faz milagres

Bom pessoal, lá vai uma dica muito bacana de livro sobre design.

Se trata do livro escrito por nossa colega Silvia Grilli, onde retrata de uma maneira franca assuntos da área.

Para quem gosta dos posts polêmicos que Grilli posta no blog vale a pena dar uma lida no livro dela.

Sinopse

Um livro que trata o design de produtos de forma aberta, diversificada, revelando ao leitor interessantes universos desta atividade humana: do mobiliário à legislação; do carnaval ao dia a dia dos profissionais; do chão de fábrica aos escritórios.
A autora escreve de forma simples e clara e procura inspirar o leitor a criar seu próprio ponto de vista sobre cada um dos temas.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Simples para ser

(texto adaptado, originalmente publicado no Design Simples)

Você, que lê este texto do futuro, preocupado com o rumo das coisas por aí, veja como os seus problemas são bem menores do que os nossos daqui. Me perdoe o tom pessimista, mas vai concordar comigo, as coisas por aqui mais fazem é lamentar.

Nossos designers se esqueceram de melhorar nossa realidade e se ocupam em fazer mais dos mesmos erros. Até mesmo assinam em baixo! Veja, estamos confusos… Não é preciso falar muito alto para nos convencer a trabalhar do lado da pura simulação e da vaga diferenciação…

Parece que estamos sob efeito de algum tipo de anestesia que não sabemos bem de onde vem. Como está sendo difícil enxergar o óbvio! Ainda não nos encontramos com a nossa própria vocação. Ainda não nos apresentamos de verdade, para servir, pelo contrário, apenas nos servimos de nossos pequenos dons.

Mesmo com algum sentimento de culpa, ainda não deixamos de promover o desperdício, a produção de lixo e a poluição. Mais equívocos… Por fim, nos esquecemos do outro. Deixamos a “personalização” substituir a solidariedade

E como isso torna o nosso design vazio. Uma injustiça com os que amam o que fazem…

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Rafael Gatti é idealizador do projeto Design Simples.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Paranashop: Propriedade Industrial: a importância do cadastro no INPI


Encontrei esse texto sobre INPI no site da Paranashop, pra quem quiser saber um pouquinho sobre o registro taí. 

Para quem não sabe a proteção à Propriedade Industrial é um instituto de ordem jurídica criado com o objetivo de proteger as invenções e os modelos de utilidade por meio de patentes. As marcas e desenhos industriais, por sua vez, são protegidos por meio de registros.

Segundo a lei nº 9279/96, que regula os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, a proteção destes direitos é efetuada junto ao Governo mediante patente de invenção, de modelo de utilidade, concessão de registro de desenho industrial e registro de marcas, e ainda, através de repressão às falsas indicações geográficas e às concorrência desleal. Os pedidos para regularização do direito devem ser feitos ao INPI – Instituto Nacional da Propriedade Intelectual. O órgão é uma autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior

De acordo com informações oficiais do INPI, o número de cadastros de marcas está crescendo anualmente e isso mostra que o empresariado está cada dia mais consciente da importância do registro de marcas, não apenas para garantir um direito seu, mas também em função do reconhecimento de que a marca é um grande diferencial  competitivo no mercado

A advogada Chrystina Langner – da empresa curitibana Jefferson Brückheimer Advocacia Empresarial – explica que a marca é um sinal distintivo, visualmente perceptível, que identifica um produto ou serviço de uma empresa. Além disso, ela pode certificar a conformidade destes produtos e serviços de acordo com normas e especificações técnicas referentes à qualidade, natureza, metodologia e também identificar produtos e serviços provindos de membros de uma determinada entidade. “Em razão desta singularidade, a marca acresce valor aos produtos e serviços comercializados por determinada empresa e, consequentemente, se torna um ativo muito importante para a empresa, o que muitas vezes faz com que a marca seja a protagonista de uma negociação comercial”, afirma a advogada.

As vantagens do registro
Por esta razão, as marcas devem ser protegidas através do registro junto ao INPI. Somente assim é que o proprietário terá garantias contra o uso indevido de sua marca. Afinal, nos dias de hoje, onde a expressão “nada se cria, tudo se copia” impera, é mais fácil o concorrente copiar uma marca de sucesso do que um produto de sucesso.

Além disso, é importante também que os empresários saibam que nem tudo é passível de registro, como por exemplo: brasão; armas; medalha; bandeira; emblema; distintivo e monumento oficiais; expressão; figura; desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes, que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência; crença; culto religioso; designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público; reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais; sinal que induza a falsa indicação quanto à origem, procedência, natureza, qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina; nome, prêmio ou símbolo de evento esportivo, artístico, cultural, entre outras.

Dessa forma, antes de iniciar o procedimento junto ao INPI, recomenda-se verificar se a marca é registrável, bem como se a mesma está disponível, pois, às vezes, a marca já foi registrada por outra pessoa que atua no mesmo seguimento do produto ou serviço que uma determinada empresa comercializa.
“Com a expedição do certificado do registro de marca, o titular poderá usar a marca de forma exclusiva, sendo assegurado ainda o direito de ceder seu registro, licenciar seu uso e zelar pela sua integridade material, pelo prazo de dez anos, prorrogáveis por períodos iguais e sucessivos”, finaliza a advogada Chrystina. 

Texto retirado do site: http://www.paranashop.com.br/colunas/colunas_n.php?op=especial&id=31157

domingo, 8 de maio de 2011

Good Design always de Dieter Rams

Este post é para os designers mais novos, ou mesmo para aqueles que ainda estão na faculdade e nunca escutaram falar do Dieter Rams.

O design cada vez mais se ramifica e torna-se complexo, gerando não apenas produtos físicos como antigamente, mas também experiências, brands, estilos de vida, serviços, sistemas.

Nesse caos projetual atual esquece-se o que era ou é o bom e velho design.

Estes princípios são do famoso designer alemão Dieter Rams, e demonstram que o Good Design sempre seguiu essas diretrizes, que devem ser incorporadas ao projeto desde o início como requerimentos.

Sendo assim, recordemos os bons e velhos princípios universais,sem data de vencimento, do Good Design:

Good design is innovative
Good design makes a product useful

Good design is aesthetic
Good design makes a product understandable

Good design is unobtrusive
Good design is honest

Good design is long-lasting
Good design is thorough down to the last detail

Good design is as little design as possible

Good design is environmentally friendly
Quando ainda não exisitia nenhuma consciência ambiental e muito menos o termo sustentável!

Portanto, afirmar que apenas agora o design é ecologicamente correto, é demonstrar que desde o começo não era Good Design.

É como se afirmassemos que este carro é melhor que o outro porque este tem 4 rodas e um motor!

O bom carro sempre teve 4 carros e um motor, assim como o Good Design sempre foi e será sustentável, apesar de que empresas e designers gritem aos quatros ventos que o design deles é melhor por ser  sustentável.

Mais sobre Dieter Rams

Do blog DECE

Simples para respeitar o planeta

(texto adaptado, originalmente publicado no Design Simples)

“Conhecer o adversário é o primeiro passo para vencê-lo”, já ensinava Sun Tzu (estrategista chinês) há 2.500 anos. A boa notícia para os que almejam usar o design como instrumento para combater a devastação da natureza é a vantagem em poder visualizar um inimigo claro: o prematuro descarte das nossas coisas.

Quanto mais duráveis forem os nossos produtos, mais valor terá o nosso dinheiro e menos impacto sentirá o meio ambiente. Projetar para longos ciclos de vida é uma contribuição concreta do designer rumo a um futuro “sustentável”.

Porém enganam-se os que imaginam que a questão da obsolescência se restringe apenas à engenharia. Componentes bem projetados e materiais mais resistentes não serão capazes de conter o pior tipo de deterioração que um produto pode sofrer, aquela que acontece em nossa mente.

A idéia não é nova. Vance Packard, autor do livro “Estratégia do desperdício” apresentou em 1960, o conceito de “obsolescência por desejabilidade”. Esta sofisticada estratégia faz uso do talento dos designers para inocular o vírus da obsolescência planejada. A criação do “modelo anual de automóvel” é o exemplo mais emblemático e que continua mais atualizado do que nunca. Harley Earl, designer pioneiro no desenvolvimento dos “carros do ano”, percebeu a enorme vantagem em convencer os consumidores a levarem algo diferente ao invés de algo melhor.

“A Nissan é uma companhia com muita paixão, e os carros têm esse sentimento. Hoje pensamos em desenhos com formas mais dinâmicas e com espírito de inovação”. Recente declaração de Alfonso Albaisa, vice-presidente de design da Nissan, em reportagem na Folha por ocasião de um lançamento de um novo modelo de carro popular.

Devemos nos opor a esta distorcida visão que uns dizem atender ao mercado mas que também agrada parte da academia. Ambos parecem confundir, convenientemente, a responsabilidade estética com o mero formalismo sem critérios. Por todos os lados somos incentivados a atuar como irresponsáveis estilistas, recebendo em troca o mérito de contribuir para os resultados do cliente, para o aquecimento da economia, estimulando o consumo por impulso.

No final, como sempre, o planeta terá que pagar a conta: escassez de recursos naturais, lixo, contaminação do ar, água e solo. Para resistir a tudo isto proponho um design simples, com a proposta de “respeitar o planeta, reduzindo a poluição e evitando o desperdício”. Para coexistirmos de forma harmoniosa com a natureza, devemos entender o quão simples é seu design. Até a mais bela rosa possui um propósito, uma função e um papel bem definido no eco-sistema.

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Imagem retirada de uma antiga propaganda da Volkswagen com o seguinte slogan: “Before you look at their new ones, look at their old ones”.

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Esta é mais uma exploração das cinco possíveis réplicas para a única pergunta: “Simples pra quê?”, conheça outros textos relacionados:

Simples para fazer-nos livres

Simples para aperfeiçoar a realidade

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Rafael Gatti é idealizador do projeto Design Simples.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Play rethink - The eco-design game

Galerinha, esse é um jogo onde os designers vão se divertir, meu ex-chefe comprou um mas não tive a oportunidade de jogar, comprou direto lá de fora, mas aqui no Brasil, pelo que soube, está sendo revendido pelo Idds, que oferece até workshops para empresas do mesmo. Quem comprar me convida pra jogar hein!



Descritivo
O jogo atua como uma ferramenta facilitadora de inovação sustentável e entendimento do uso de ferramentas e estratégias em design sustentável.
Play rethink game pode ser utilizado em escolas, faculdades, empresas, congressos e eventos diversos que buscam desenvolver habilidades para soluções criativas e sustentáveis.

Objetivos do jogo
•    Ensinar aos jogadores sobre os conceitos, ferramentas e estratégias design sustentável
•    Desenvolver soluções que tragam simultaneamente benefícios econômicos, sociais e ambientais , alterando a maneira como fazemos coisas
•    Incentivar as pessoas a comunicar e compartilhar suas ideias
•    Inspirar

Resultados esperados
Este jogo irá proporcionar oportunidades para as pessoas:
•    Contribuirem para soluções inovadoras
•    Gerar novas idéias
•    Usar sua iniciativa e supreender-se com sua criatividade
•    Se divertir enquanto aprendem
•    Inventar novas formas de trabalho
•    Se inspirar para criar e pensar de maneira diferente (fora da caixa!)
•    Usar sua criatividade para energizar-se
•    Percepção  de como as coisas são e que podem ser melhoradas

Quem pode utilizar
Designers, professores, estudantes, facilitadores, consultores, profissionais da indústria criativa, engenheiros, gestores ambientais, empreendedores, administradores, publicitários, e demais interessados no tema inovação e sustentabilidade.

Além disso, foi criado um banco de dados online internacional, onde usuários do jogo podem compartilhar desenvolvimentos e aprendizados, facilitando a implementação de soluções em outros locais.
Vejam alguns trabalhos aqui <http://www.playrethink.com/drawing>.

Para mais informações sobre o Play Rethink e como adquirir o produto envie email para 'idds-projetos'.


 




 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Simples para nos fazer livres

(texto adaptado, originalmente publicado no Design Simples)

Sabe, nós designers devemos resistir em atuar como um maus publicitários. Nosso trabalho não pode se resumir a persuadir, despistar, diferenciar ou simular valor. É interessante observar como tal nociva intenção se manifesta com maior nitidez em categorias de produtos cujos concorrentes são bastante parecidos.

Águas engarrafadas são bons exemplos. Se fizermos uma visita ao supermercado, veremos na gôndola de águas minerais uma grande variedade de frascos. Todos com diferentes formas, cores, texturas e brilhos. Como se fosse possível, buscam nos convencer de que são águas mais puras e frescas do que a vizinha ao lado. Quanto ao rótulo, igualmente alegórico, notaremos que diversas informações são apresentadas, porém poucas são tão legíveis quanto a marca. Presença de gás e o nome da fonte também são informações geralmente destacadas. Porém, para quem não sabe, existem outras informações relevantes para os apreciadores deste produto: prazo de validade, concentração de sais minerais e classificação química (esta determina o modo como tal tipo de água irá agir no seu corpo). Todo fabricante é obrigado a fornecer estas informações no rótulo e de fato fornecem. No entanto, como prega a má publicidade, são dados que possuem pouco “apelo de comunicação” e a busca pela persuasão faz com que estas informações sejam entregues às letras minúsculas, tão ilegíveis.

Atualmente temos um grande envasador nacional que comete um crime sob o ponto de vista do design. Ele “inunda” o varejo com garrafas translucidas de cor azulada, rotuladas com um filme transparente cujas informações específicas são impressas também em azul.

Veja na imagem à esquerda como esta decisão de design tem a capacidade de nos distanciar das informações que procuramos. Apesar da informação estar lá presente, ela tem sua apresentação reduzida em prol do tão incompreendido “apelo visual”. A mensagem é clara, é como se a embalagem estivesse nos dizendo: “Pensar pra quê? Apenas me leve!”

Convenhamos, um enorme desrespeito ao nosso intelecto! Penso que o designer não deve impor a sua auto-expressão mas sim respeitar, e até mesmo incentivar, a dos que servem-se de seu trabalho.

Assim, concluo a exploração de mais uma das réplicas para a única pergunta: “Simples pra que?” Um design simples respeita nosso livre arbítrio, vem “Para fazer-nos livres, oferecendo autonomia para pensar e tomar decisões”, não nos censura e nem ludibria!

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Rafael Gatti é idealizador do projeto Design Simples.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A casa: Entrevista Ademir Bueno

Essa é a entrevista da A Casa - museu do objeto brasileiro com Ademir Bueno da Tok&Stok que recebi na newsletter de Março. Que recomendo assinatura.

"Esse é um caminho que a indústria tem que absorver, que só vai vencer pelo design." Ademir Bueno é gerente de design da Tok&Stok.
 
Você pode começar nos contando um pouco da história da Tok&Stok e do contexto em que ela foi criada?
A Tok&Stok começou pequena. A primeira loja tinha 80m² e ficava na Avenida São Gabriel. Os donos são um casal de franceses [Regis e Ghislaine Dubrule], que vieram para o Brasil e aqui sentiram falta de uma loja como essa. Na época, em 1978, não haviam lojas de design acessível. A única tentativa que houve, antes disso, foi a loja do Michel Arnoult da mobília contemporânea. Essa questão do design acessível estava na cabeça deles, queriam desde sempre ter um produto com desenho simples, leve, bem jovem e descolado. E que pudesse ser levado na hora, por isso que tinha que ser desmontável e empilhável. Eles conheceram nesta época o arquiteto Antônio Aiello, que estava trazendo a marca sueca Innovator para o Brasil, de móveis tubulares, com um sistema de montagem muito simples, que tem esse conceito de design com preço acessível, de móveis desmontáveis, que você compra e leva na hora. Algo que não havia no Brasil na época e que vinha de encontro com a idéia deles. (...) No começo não tinha propaganda nenhuma, mas saiu em todas as revistas, porque era uma novidade. E aí foi um boom.

Uma das tendências desenvolvidas pela loja é o "regional brasileiro". Desde quando se definiu essa categoria? E por quê?
Desde o início, a Tok&Stok tem artesanato brasileiro porém esta categoria surgiu nos anos 90, porque a coleção cresceu muito, e resolvemos organizá-la desta forma, por estilos. Quando a Tok&Stok inaugurou, em 1978, os donos nem falavam direito o português, estavam há pouco tempo no Brasil e ficaram enlouquecidos pelo artesanato brasileiro. Eles iam ao centro da cidade comprar artesanato em lugares como O Palhão [loja de artesanato da região do Brás], que até hoje existe. Até então não havia essa valorização do artesanato que se tem hoje. Desde então temos essa coleção. Na época era uma seleção apenas, depois começamos a trabalhar mais próximos das organizações de artesanato, junto ao Sebrae, desenvolvendo produtos em parceria com Designers como a Heloisa Crocco.

Como é esse trabalho com as comunidades?
O Sebrae organiza várias rodadas de negócios no Brasil, e a gente participa de praticamente todas. Tem produtos que simplesmente selecionamos. Outros necessitam de um desenvolvimento, adaptações. É lógico, não vamos lá ensinar a fazerem a trama da cestaria, mas fazemos pequenas adaptações, como de medidas. Às vezes tem uma cesta que se encaixa numa estante nossa ou funções mais comerciais  como um cesto de lixo, ou de roupa. O Sebrae ou uma organização que tem por trás faz a ponte entre a Tok&Stok e os artesãos. Porque às vezes são muitos artesãos, uma região inteira, uma cidade toda, então tem que ter alguém organizando a história.

Mas funciona mais nesse sentido de ver o produto dos artesãos, selecionar alguns e a partir daí fazer pequenas adequações para a loja?
Sim, funciona desta forma, mas o maior complicador do artesanato ainda é a capacidade de produção. A Tok&Stok está crescendo muito, e consequentemente nosso volume de venda também. Por isso tem que ter alguém que nos ajude nesse processo, já que não estamos lá no local, por isso temos esses parceiros. E tem a questão da entrega aqui no nosso depósito em São Paulo. Para isso tem que ter a etiquetagem dos produtos, código de barras, embalagem. E tem que seguir um certo padrão. A gente sabe que, em artesanato, não dá para ter todas as peças iguais. Mas não podemos vender uma cesta pequena e uma gigante pelo mesmo preço. Esta é uma questão que é muito difícil, com a qual os artesãos costumam ter dificuldades, é a formatação adequada do preço.

Atualmente tem também outro complicador, os produtos artesanais asiáticos. Esses produtos estão aí concorrendo com o artesanato brasileiro a preços muito baixos. A nossa opção tem sido ultimamente pelo artesanato brasileiro decorativo, coisas que a gente não tinha porque preferimos produtos funcionais. Para o artesanato abrimos essa exceção e está funcionando muito bem na nossa coleção. São os bonecos de cerâmica, os oratórios, etc...

E vende bastante? O consumidor brasileiro está buscando mais produtos que tenham a identidade do país?
Vende. Temos muito cliente estrangeiro também, mas eu acho que mesmo o brasileiro tem uma facilidade, uma abertura para comprar esses produtos. Na tapeçaria, no jogo americano, o artesanato brasileiro sofre concorrência. Mas nesses outros produtos não, eles são únicos.

Falando um pouco do Prêmio Tok&Stok de design universitário, que está na sua 6a. edição e é um dos maiores do gênero. Como que foi a ideia de criar esse prêmio?
Sempre quisemos ter um prêmio de design Tok&Stok. Temos participado de vários prêmios aqui no Brasil como jurado, ou como patrocinador, mas queríamos um premio com a nossa cara. Tentamos fazer parcerias com algumas instituições mas nunca conseguimos um resultado satisfatório. Então começamos com um projeto simples, pequeno. Sempre tive contato com o Professor Eddy. Na época ele estava na Belas Artes, e o convidei para fazer um trabalho com alunos de lá para a Tok&Stok. Depois começamos a ampliar, a convidar outras universidades. Organizamos então um prêmio em parceria com cerca de 10 faculdades, demos um tema que foi colocado como tema de aula do semestre. Deu certo no primeiro ano e começamos a ampliar. É um prêmio diferente, feito para estudantes de design. Não entram outros cursos, porque nosso objetivo é fomentar o curso de design, aproximar esse estudante da empresa, da indústria, do comércio enfim, do mercado.

Você vê que posteriormente esses estudantes são bem absorvidos no mercado? Mesmo na Tok&Stok, já vocês chegaram a contratar alguns deles?
Já contratamos três pessoas que saíram do prêmio. Tem uma que ainda trabalha conosco. Acabo encontrando essas pessoas em feiras ou quando participo de algum júri de outros prêmios. Algumas continuam em contato por e-mail, enviam projetos, sugestões. Agora, não é fácil essa área no Brasil. Às vezes me pergunto: onde vão trabalhar todos esses profissionais que estão saindo das universidades? São pouquíssimas empresas no país que têm setor de design interno. Viver de design, ter um produto autoral, desenvolver e comercializar é um processo bem complicado.

Você acha que há alguma saída para se conseguir sobreviver com design no Brasil?
Como está muito difícil para a indústria brasileira concorrer com o produto importado, o que alguns fabricantes têm percebido é que a única forma de concorrer é tendo um produto original. Então começam a contratar designers. Mas é pouco ainda. Acho que esse é um caminho que a indústria tem que absorver, que só vai vencer pelo design.

Vocês têm uma política sustentável? Preocupam-se em adquirir produtos duráveis e sustentáveis?

Temos sim. Temos uma série de preocupações e compromissos que exigimos dos nossos fornecedores, como não usar mão-de-obra escrava, infantil, etc. Para os produtos de madeira, por exemplo, temos um compromisso com um órgão que é o Imaflora [Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola] e damos preferência por produtos em madeira certificada. Ao longo dos anos, queremos chegar a 100% dos nossos móveis em madeira certificada. No começo foi muito difícil, porque a  madeira certificada não estava tão disponível, era difícil as fábricas encontrarem fornecimento. 

domingo, 1 de maio de 2011

Design na India

A India com todas as suas limitações e carências vem desenvolvendo um trabalho continuo e consistente no campo do Design.


Como exemplo temos o famoso e aclamado National Institute of Design reconhecido mundialmente por outras instituições mundiais de Design e no lugar 32 da lista do Business Week das melhores instituições acadêmicas de Design da Europa e da Asia.

O instituto foi estabelecido em 1961 com assessoria do famoso casal de designer americanos Charles e Ray Eames.

Como segundo exemplo temos o MIT Institute of Design na India.

E no campo do Design Universal temos Design for All que vem desenvolvendo um trabalho consistente em Design Universal do âmbito da Arquitetura ao Design com varios colaboradores do mundo todo e de outras instituições de prestigio.

Salão Milão 2011

Bom pessoal eu dei uma fuçada na net e encontrei esses sites bacanas que para aqueles que não conseguiram ir para Milão possa ver o que rolou no Salão.











sábado, 30 de abril de 2011

Simples para aperfeiçoar a realidade

(texto adaptado, originalmente publicado no Design Simples)

Penso que o designer deve ser como um cirurgião da matéria, operando e modificando a natureza com extremo rigor, sobriedade, lucidez e consciência. Devemos designar de forma coerente.

Sei que no dia-a-dia profissional da maioria as coisas não acontecem desta forma. No entanto, através deste texto, gostaria de convidar os leitores a refletirem e pensarem um pouco em como as coisas poderiam ser.

Na página “design” do nosso site, são apresentadas cinco resposta para a única pergunta: “Simples para quê?”. Hoje, explorarei a primeira das réplicas: “Para aperfeiçoar a realidade, intervindo de forma precisa em cada detalhe”.

Concordo bastante com a célebre frase de um dos principais arquitetos do século passado, Mies van der Rohe: “Deus está nos detalhes”. Um dos “dez princípios do bom design” de Dieter Rams, ex-diretor de design da Braun, afirma que: “Bom design é minucioso, até o último detalhe”. Massimo Vignelli, designer muito ligado à tradição modernista, mostra que:“A atenção aos detalhes requer disciplina. Não há espaço para desleixo, para o descuido, para a procrastinação. Cada detalhe é importante porque o resultado final é a soma de todos os detalhes envolvidos no processo criativo, não importa o que estamos fazendo. Não há hierarquias, quando se trata de qualidade. Qualidade existe ou não existe, e se não estiver lá, perdemos nosso tempo. (…) Design sem disciplina é anarquia, um exercício de irresponsabilidade.”

Ainda, complementando o discurso de Vignelli, diria que “se a qualidade não estiver lá”, não só perdemos nosso tempo, mas também energia e recursos que dificilmente serão revertidos.

Devemos assumir uma postura responsável e ao mesmo tempo humilde em relação ao ato de projetar. Isso só será possível quando realmente entendermos nossa missão, enxergando o quanto somos pequenos em relação a todo um planeta que surgiu muito tempo antes de nós e que ainda durará “ad infinitum”.

Modificar o “statu quo” é o que dá sentido a nossa profissão. Sempre existirão problemas a serem resolvidos, aos menos enquanto continuarmos humanos. Pagar suas contas no fim do mês jamais deve ser o principal problema a ser resolvido pelo designer. É necessário um diário exercício de disciplina para nos mantermos fieis e alinhados ao nosso chamado: aperfeiçoar a realidade.

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Rafael Gatti é idealizador do projeto Design Simples.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Estadão: Classe C investe em design e decoração

Achei essa matéria interessante da Valéria França - O Estado de S.Paulo do dia 24/04/11
Depois do conforto garantido - com os financiamentos, a TV de plasma já está na sala e a geladeira com freezer na cozinha -, a classe C investe agora na decoração.

Surgem revistas, guias, blogs e até decoradores que começam a especializar-se em transformar os ambientes com custo reduzido.
Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE
Um cliente difícil de agradar. 'Na minha primeira experiência, o casal não aceitava nada do que eu oferecia. E ninguém saiu satisfeito', diz Saulo Szabó (à esq.)

Como aconteceu no universo da moda, quando os fashionistas passaram a criar coleções para lojas populares, agora nasce o fast design. Arquitetos conhecidos por projetos luxuosos da Casa Cor fecham parcerias com magazines. É o caso de Marcelo Rosenbaum, que assina neste mês um guia de decoração para as Pernambucanas, rede com 272 lojas no País. Em 27 páginas, ele dá ideias de ambientes com objetos da loja, sempre destacando o útil e o acessível.
O escritório do arquiteto desenvolveu móveis e acessórios para a classe C. A linha Pindorama de toalhas de mesa de plástico, um clássico do churrasco de domingo, ganhou estampas descoladas. O metro custa R$ 7. Inspirado nas sementes brasileiras, um aparelho de jantar com 20 peças sai por R$ 225.
Seguindo os mesmos moldes, a Casas Bahia montou um blog de decoração, em teste, que conta com a assessoria de uma equipe de profissionais da área. A vantagem é que a ferramenta vai possibilitar tirar dúvidas dos consumidores, muitas surgidas nos balcões das lojas.
Já o Magazine Luiza fechou parceria com a Dell Anno, linha de móveis planejados que desenvolveu uma cozinha exclusiva retrô popular. Os móveis saem com o nome de Telasul, a segunda linha mais econômica da Dell Anno. A primeira é a New, aberta há dois anos, especialmente para a classe C, que já conta com 200 lojas.
Arredondando. "Mas ela (a classe C) tem dificuldade de imaginar o resultado final, a composição no ambiente", explica o arquiteto Ruy Ohtake, que projetou a construção de um conjunto habitacional em Heliópolis, na zona sul da capital paulista. São 71 edifícios redondos, cada um com 18 apartamentos de 52 metros quadrados, distribuídos em quatro andares. "Como o projeto é arrojado, os futuros moradores acharam que não haveria móveis adequados para um espaço redondo", conta Ohtake, que teve várias reuniões com a comunidade. "Até decoramos uma das unidades para ficar em exposição."
A primeira ideia do arquiteto era desenhar o mobiliário. "Mas a construtora achou que deveríamos usar móveis que fossem baratos e fáceis de encontrar. Foram gastos R$ 20 mil para comprar tudo, do fogão ao triliche branco das crianças que fica no segundo quarto.
Na mesma Heliópolis, neste semestre, a Escola Técnica Estadual (Etec) promove uma disputa em que os moradores vão concorrer a um ambiente de casa repaginado pelos alunos da primeira turma do curso de Design de Interiores. "Estamos fechando parcerias para colocar o projeto em prática", conta Eduardo Lopes, coordenador do curso.
Com um orçamento menor, de apenas R$ 15 mil, Saulo Szabó, do escritório de arquitetura Szabó e Oliveira, planejou um apartamento de 40m². "Nesse custo entraram os móveis, quadros, revestimentos das paredes, iluminação e a minha comissão." Mas o cliente tem de aceitar certas limitações, como repaginar móveis antigos e usar materiais alternativos.
Investimento R$ 17,97 bi foram gastos no ano passado, por integrantes da classe C, para tornar a casa mais bonita
5,7 vezes
foi o quanto cresceu esse investimento, em comparação com 2002


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