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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Design Suffering - A vida sofrida de um designer de produtos


Em bate-papos com meus colegas da faculdade, sobre o que estão fazendo da vida, sobre design, entre cervejas e risadas, percebo que as opiniões sobre a área de design se dividem, entre sonhos e frustrações.

Muitos que se formaram em design de produtos comigo, ou mudaram de área, ou estão buscando outra graduação, ou estão tentando abrir o próprio escritório de design (porque não conseguiram vagas em outro), enfim, são poucos que trabalham na área e se sentem designers.

Mas uma unanimidade entre opiniões é que para ser designer de produtos, daqueles que desenham de tudo, de isqueiro, móveis, luminárias, guarda chuva, à barcos e automóveis, o caminho a percorrer é longo, arduo, e muitas vezes parece impossível de ser alcançado. Pois não parecem existir mapas para essa jornada.

No mercado de trabalho encontramos indústrias que acham que desenhista industrial é um projetista cadista, poucas vagas em escritório de design de produtos disponíveis, falta de uma regulamentação para que todos os designers que trabalham por conta exerçam seu trabalho com ética e profissionalismo, entre outros fatores que atrapalham a vida de um designer de produtos.

É compreensível que diante desse cenário, muitos de meus colegas tenham desistido ou dado rumos diferentes as suas vidas, afinal as pessoas se casam, tem filhos, tem contas a pagar, e nem todo mundo tem disposição ou disponibilidade para se aventurar num mercado tão desanimador.

Aos que persistem e continuam tentando ser designer, ficam os rótulos de "sonhador, aventureiro, corajoso, louco..." e muitos deles se identificam mesmo com algum desses adjetivos, porque não é fácil ir e PERSISTIR atrás de um sonho, "vivendo de coxinha" como diz o Barão da Nó, quando tudo te diz que não vai conseguir, quando você olha pra trás e pensa por um segundo "podia ter ficado naquela empresa, com salário bom, condições boas..." sendo que o único "sacrifício" seria trabalhar com aquilo que não era bem o que você sonhava em fazer.

Eu mesmo me pego pensando, como estaria minha vida se tivesse continuado trabalhando em uma das indústrias que passei, talvez hoje seria um gerente projetos, com a vida mais estável, mas tenho certeza que estaria fazendo a mesma coisa, pensando "como seria minha vida se tivesse tentado?" E me conhecendo sei que estaria bem inquieto, eu tenho uma séria inabilidade em fazer coisas que não gosto de fazer.

Acredito que um certo dia, tive um mix de coragem (ou loucura) + sorte + determinação. 

Coragem, ou loucura, tive ao largar todas as indústrias que trabalhei, com planos de carreira e tudo mais, para me aventurar e conseguir trabalhar em um escritório de design. Sorte, porque são poucos escritórios disponíveis e Determinação, porque só Deus sabe quantos currículos e portfolios enviei na esperança de uma oportunidade.

Fazem quase 6 meses que decidi sair do escritório de design onde trabalhava para abrir meu próprio escritório, taí a loucur... digo coragem novamente, e digo pra vocês que não está sendo nada fácil, minha vida virou de cabeça para baixo, por falta de estabilidade, ter que ficar indo atrás de clientes, ficar tomando "chapéu" de clientes, passei a ter preocupações administrativas, financeiras, ou seja, passei a atuar em muitas áreas que a maioria dos designers odeiam.

Mas por outro lado tem sido uma experiência muito apaixonante, ver um trabalho seu lançado no mercado, ver as pessoas olharem pro seu produto e abrir aquele sorriso e dizer "que idéia legal", sim já fiquei um tempo olhando a reação das pessoas ao se deparem com meus produtos. Ter produtos lançados com seu nome e devidamente creditados a ele, esse tem sido meu combustível para continuar nessa busca.

A verdade é que é preciso mais do que talento e criatividade para ser designer de produtos nesse nosso Brasil, é preciso ter paixão pelo design e pela profissão, amar o que você faz e muito, ter muita determinação, foco, muita coragem, um pouco (ou muita) sorte, ser oportunista, correr atrás, saber esperar, entre muitos fatores.

Eu posso dizer que vida de designer não é fácil, principalmente para aqueles que estão começando, criei o termo Design Suffering em tom de brincadeira e em homenagem a outros que como eu estão aí sofrendo pra conseguir ser designer de produtos, mas que a cada dia tentando, tem cada vez mais certeza que está no caminho certo.

A todos que estão nessa vida e também estão iniciando suas carreiras como designers de produtos e concordem comigo que sofremos, em questão de dificuldades da profissão em geral, mas acima de tudo amamos o que fazemos, sejam adeptos do Design Suffering, ralem bastante mas persistam e lancem seus produtos ou ideias, passem a filosofia a diante.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vida de designer - Daniel Nishiwaki

Quando comecei o curso de desenho industrial confesso que não fazia idéia onde estava me metendo, assim que fui me tocando, decidi seguir a profissão de designer de produto. Minhas espectativas eram de ser um designer famoso, ter vários produtos no mercado, assim como Índio da Costa, Philippe Starck, entre outros.

Estava louco para começar minha triha rumo a fama, então nada melhor que começar desenhando catracas, isso mesmo, catracas! Daquelas de acesso de estádio. Tudo bem não eram móveis, mas confesso que aprendi muito na Western Controls. Em pouco tempo fui para o ramo moveleiro,  passei pela Mackey Móveis e Intelligent Table. Quando mergulhei no mercado de trabalho percebi, principalmente quando o foco é as indústrias  uma pequena diferença do que aprendi na faculdade para a prática, muitas indústrias confundem um desenhista industrial com um projetista cadista, levantando uma dúvida, será que as industrias brasileiras entendem o que um designer faz?

Fato é que nas indústrias muitos designers estão sendo utilizados como projetistas, fazendo desenhos técnicos, não que eu tenha nada contra, mas quando trabalhava assim me incomodava muito.
Quase um ano no ramo moveleiro, queria desenhar coisas novas, então fui pro ramo de Iluminação, na Itaim Iluminações, lá já havia sinais de um entendimento do que era design, mesmo assim estava longe das aulas da faculdade, brainstorming, sketches, estudos de forma, clínicas, nem sombra de design. Então o que acontece com o design? Como esses designers brasileiro conseguem trabalhar nesse mercado que nem entende o que é um painel semântico?

Fiquei desiludido, coincidiu com minha formatura, viagem, festas. Bom larguei tudo, fiquei dias e dias pensando, mas como não vivo de luz, arrumei outro trabalho e fui pro ramo de embalagens na NEFAB, decidi correr atrás de design por fora, mas como sem fazer idéia nenhuma de como fazer?
Eu idolatrava designers que desenhavam de tudo, mas procurava as indústrias, não é obvio?  eu tava procurando errado! Meu Deus precisava de todo esse tempo para perceber? Sim mas não me arrependo aprendi muito sobre processos de produção. Foquei em escritórios de design, e em pouco tempo estava no André Cruz Design & Ideias.

Um escritório de design... desenhos colados nas paredes e no teto, massinha, maquetes, mockups e protótipos espalhados pelo escritório, brainstorm, desenhar a mão! Parece bobeira mas eu nem sabia quanto tempo não fazia um desenho a mão.

Como é meu primeiro texto quis contar um pouco da minha trajetório. Vi os dois lados da moeda, apesar de que eu acho que o mercado de design no Brasil não se resume somente em dois lados.
A minha visão do mercado de design é que ele tem várias vertentes, tudo vai depender da forma como você (designer) quer trabalhar, o mercado das indústrias, em grande parte é trabalho de projetista, lembrando que existem empresas que já tem um departamento de design, mas se você trabalha em uma considere-se privilegiado, mas que existe mercado existe. Outro caminho é o que eu estou seguindo é em um escritório de criação, onde desenhamos pras indústrias, seja moveleira, luminárias, injetados, não importa,  o desafio está aí. Encontrei dessa forma o caminho para meu objetivo, confesso que em São Paulo não encontrei muitos escritórios de design de produto. Mas taí vem a questão de se você enxerga o copo meio vazio ou meio cheio. Através do escritório conheci alguns designers consagrados, Pedro Useche, Pedro Mendes, Sergio Faher, entre outros. Agora pense comigo, quantos designers brasileiros você conhece ou ouviu falar? Aposto que não completou as duas mãos. A minha visão para o mercado de design brasileiro é que está aberto, são pouco mais de uma dúzia de designers que estão desbravando o mercado, ensinando e abraçando as indústrias. É fato que a cada dia esses designers conquistam novos clientes e reconhecimento, que é bom pro design. Agora o que eu to fazendo pra essa história mudar, ninguem nos disse que o mercado pra design tava pronto, disseram que estava crescendo, mas esse crescimento não é também responsabilidade nossa como designers?
Hoje, eu voltei a acreditar no design, sei que é um caminho arduo, mas que não é impossivel, e eu vou atrás, com minha coragem e a cara de pau.

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