quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Organizando os objetos do dia a dia (2)
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Pé de boi
(texto adaptado, originalmente publicado no Design Simples)
Pára-choques pintados de branco, apenas um velocímetro, ausência de frisos na carroceria e nas borrachas da janela, revestimento liso no forro do teto, nas portas e bancos, nenhum cromado no painel nem nos estribos, rodas básicas e calotas brancas.
Esta foi a versão mais básica, batizada Pé-de-Boi, do Volkswagen Sedan (o nosso conhecido Fusca), lançada no ano de 1966. Logo nota-se que seu compromisso era com custo, total racionalização e eficiência do produto.
Durante a década de 60 o governo brasileiro promovia linhas de crédito e incentivos fiscais para modelos de automóveis mais baratos e simplificados, com objetivo de acelerar a economia estimulando a venda de carros novos para o público de baixa renda, taxistas, frotistas e para a população rural do país. Daí nasceu o apelido “pé-de-boi”, já que o pequeno Volkswagen era capaz de enfrentar as áreas rurais de mais difícil acesso e se encontrava preparado para receber muito pouco cuidado.
Assim como a Volkswagen, durante aquela década outras montadoras interessadas nos incentivos governamentais também apresentaram modelos populares extremamente econômicos na utilização de itens supérfluos ou pouco essenciais. O Simca Profissional eliminou todos seus frisos cromados e tinha como público-alvo os taxistas. Seus parachoques foram pintados de cinza escuro e seus bancos foram revestidos em plástico. O DKW Vemag Pracinha era uma versão ainda mais “despida” do seu antecessor, sem carpete nem tampa no porta luvas. E ainda havia o Willys Teimoso com sua única lanterna traseira.
Recentemente, entre dezembro de 2008 e março deste ano, vigorou no país uma redução no IPI (imposto sobre produtos industrializados) que foi responsável por incentivar nossa produção industrial aquecendo a venda de automóveis novos e ajudando o país a enfrentar a última crise econômica mundial. Algo não muito diferente daquela época.
Tanto no passado quanto nos últimos anos, procuraram estimular a economia através do consumo de bens industrializados, com grande peso para o automóvel. No entanto, vemos na década de 60 um respeito maior com os recursos econômicos e, porque não, naturais do que no caso atual. Isso determinou diretamente o projeto daqueles veículos. Não se queria que os recursos econômicos destinados aos financiamentos pagassem peças cromadas e desnecessárias. Assim, muitos moradores do campo puderam ter acesso ao seu primeiro carro, simples e pequeno, porém capaz de cortar as mais difíceis estradas de terra. Já na última redução do IPI, nenhuma categoria de automóvel foi privada do benefício fiscal. Muitos consumidores foram convidados a trocar seu veículo por um novo, ou mesmo por um segundo, mais atualizado e distintivo. Os vendedores dos grandes veículos utilitários esportivos puderam se beneficiar destes recursos colocando ainda mais carros “fora de estrada” para rodar no caótico trânsito urbano.
E quanta diferença existe entre um Pé-de-Boi e um SUV…
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Rafael Gatti é idealizador do projeto Design Simples.
terça-feira, 29 de março de 2011
Revistas Ulm
(texto adaptado, originalmente publicado no Design Simples)
Recentemente foi disponibilizada para download a versão digitalizada de todas as 21 edições da revista Ulm. Esta foi uma revista interna da Escola de Ulm. Um precioso material, tanto pelo seu conteúdo quanto pelo seu projeto, bastante representativo da filosofia da escola.
Os links para os arquivos PDF podem ser encontrados na página do facebook de Tomás Maldonado (sim, ele está no facebook!), professor e reitor na escola entre 1954-66.
Segue o link: http://www.facebook.com/album.php?aid=229399&id=42695431452
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Imagem: Max Bill e Tomás Maldonado, reitores da escola em épocas diferentes.
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Rafael Gatti é idealizador do projeto Design Simples.
