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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Guia para melhoria ambiental

Guia para melhoria ambiental por meio do desenvolvimento de produtos


Esse Guia é um dos resultados de um projeto financiado pela Agência de Proteção Ambiental Dinamarquesa conduzido em colaboração com a Confederação da Indústria Dinamarquesa (DI), IPUe a Universidade Técnica da Dinamarca (DTU).  

O Guia é baseado em uma revisão de métodos e em experiências relacionadas ao desenvolvimento de produtos com melhor desempenho ambiental em empresas dinamarquesas e em uma série de workshops com indústrias. 

O Guia é primariamente direcionado aos desenvolvedores de produto e fornece apoio na estruturação do pensamento ambiental durante o processo de desenvolvimento de produtos – garantindo, assim, a sua incorporação aos produtos.

Com o intuito de tornar o conhecimento disponível para empresas brasileiras, o Guia foi traduzido para o português por Daniela Pigosso, da Universidade de São Paulo (EEESC/USP).

                       Visite o site e desça o GUIA (PDF)

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Victor Papanek: de maldito à ídolo do século 21

De maldito a ídolo: conheça a trajetória do designer norte - americano Victor Papanek


De Alice Rawsthorn - (Artigo extraido do UOL)


Como você se sentiria se tivesse escrito um livro que, em suas próprias palavras, fosse "ridicularizado ou barbaramente agredido" pelos seus colegas?
Ou se você fosse forçado a se afastar de uma entidade profissional, que, em seguida, ameaçasse boicotar uma exposição no Centro Pompidou, em Paris, se seu trabalho fosse incluído?

Todas esses afrontas -e mais- foram infligidas ao designer Victor Papanek depois da publicação do seu livro de 1971 "Design for the Real World".

Por quê?


Há uma pista na frase de abertura:

"Há profissões mais prejudiciais do que o design industrial, mas são poucas".

Papanek saiu acusando seus colegas designers pela produção de baixa qualidade, trabalho estilizado que desperdiçou recursos naturais, agravou a crise ambiental e ignorou suas responsabilidades sociais e morais. Doeu! Quatro anos mais tarde, ele foi descrito pela revista “Design” como uma pessoa “de quem seus próprios contemporâneos não gostava, e até desprezavam."

No entanto, Papanek riu por último. Em 1985 em seu prefácio à segunda edição de "Design for the Real World" (no Brasil, “Arquitetura e Design -Ecologia e Ética), ele observou com orgulho que a primeira edição havia sido traduzida para mais de 20 línguas e havia se tornado "o livro sobre design mais lido do mundo".

Ele morreu em 1998, mas 40 anos depois da primeira publicação, seu livro ainda é impresso e continua muito influente -e Papanek é louvado como um dos pioneiros do design sustentável e humanitário. Como diz Zoë Ryan, presidente da área de design e arquitetura no Art Institute of Chicago, "sua abordagem parece mais relevante do que nunca em tempos desafiadores como os de hoje."

Obra influente


Papanek foi até mesmo abraçado pelas autoridades do design. Seus arquivos foram recentemente adquiridos pela Universidade de Artes Aplicadas de Viena, que vai inaugurar a Fundação J. Victor Papanek em novembro, com um simpósio sobre o seu legado. A fundação também está colaborando com o Museu de Artes e Design, em Nova York, para apresentar o prêmio J. Victor Papanek Social Design.

Por que um livro de 40 anos se mostrou tão duradouro? Papanek escreveu vários outros livros sobre temas semelhantes, mas nenhum teve o impacto de "Design for the Real World". De fato, nenhuma obra sobre design teve tamanha influência.

"Design for the Real World" é, por qualquer definição, uma boa leitura, escrita com entusiasmo, convicção e autoridade. O arquiteto americano William McDonough, que o leu quando ainda um estudante de arte, em 1971, considera o livro como algo “muito simples, no entanto, curiosamente sofisticado: humanista, inteligente, sagaz e divertido."

O texto de Papanek foi criado com base em sua bagagem. Nascido na "Viena Vermelha", em 1927, quando a capital austríaca era governada por radicais social-democratas, ele teve uma educação particular na Inglaterra antes de se estabelecer nos Estados Unidos, em 1939.

"Falsos desejos"


Frequentou o curso noturno de arquitetura e design na Cooper Union, em Nova York, no final dos anos 40, e estudou na escola de arquitetura dirigida por seu herói, Frank Lloyd Wright, em Taliesin West, no Arizona. Mais tarde, Papanek se matriculou em um curso de engenharia criativa no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Ele tentou a sorte com design comercial, mas detestou a experiência. "Design for the Real World" inclui uma dolorosa descrição de "meu primeiro, e espero que o meu último, encontro com ... o design cosmético" -um rádio portátil. Papanek buscou então uma carreira em pesquisa e ensino de design, principalmente projetos antropológicos realizados enquanto vivia entre Navajos, Inuits e outras comunidades indígenas.

No início dos anos 1960 ele já havia criado muitos dos princípios articulados em "Design for the Real World". Numa palestra em 1964, na Rhode Island School of Design, Papanek repudiou o design comercial como sendo "a perversão de uma grande ferramenta", e convocou os designers a satisfazer necessidades genuínas ao invés de "falsos desejos”.


Mais críticas do que propostas


Começou a escrever "Design for the Real World" no ano anterior. O texto final expressa sua visão sobre o design, acompanhado por uma variedade estonteante de referências, inclusive textos de Hermann Hesse e Arthur Koestler sobre as habitações da Drop City, uma comuna dos anos 1960 no Colorado, e uma fazenda californiana de porcos, cuja energia era gerada pelo estrume dos seus mil suínos.

"Design for the Real World" estava longe de ser impecável. Como muitos dissidentes, Papanek é mais forte criticando o status quo do que proporcionando alternativas (a fazenda de suínos energizada por esterco e o rádio que ele projetou a partir de lata cera de parafina e esterco de vaca pensando nos países em desenvolvimento eram exceções).

Ele próprio admitiu, no prefácio da segunda edição, que seu relato original sobre a contribuição que os designers ocidentais poderiam fazer para os países em desenvolvimento tinha sido "condescendente", subestimando o quanto eles poderiam aprender ali. Mas ele defendeu suas análises sobre a crise ambiental e as fraquezas da indústria de produtos manufaturados.

Abordagem inclusiva


Tais problemas vêm piorando desde então, e a visão corrigida de Papanek sobre o potencial do design para as economias em desenvolvimento é hoje amplamente aceita. As redes voluntárias, como o Project H e Architecture for Humanity permitiu que milhares de designers participassem de tais projetos. As mesmas idéias pelas quais Papanek já foi ridicularizado parecem cada vez mais prescientes.

O mesmo pode ser dito em relação a sua capacidade de apreciar as dimensões morais e sensuais do design. O designer suíço Yves Behar conheceu Papanek quando era estudante, na década de 1990, quando o veterano radical estava obcecado em repensar as viagens aéreas. "Ele imaginava grandes e confortáveis aviões ecológicos, econômicos e muito divertidos de se estar, com piscinas e academias de ginástica em pleno ar", disse Behar.

Papanek não foi o primeiro designer a defender uma abordagem inclusiva e sustentável para o design -R. Buckminster Fuller fez o mesmo nos anos de 1920- mas sua visão era surpreendentemente coerente. Seus sucessores passaram pelas tarefas mais difíceis e, em geral, mais maçantes, de explicar a logística de suas implementações. McDonough e o químico alemão Michael Braungart se prestaram ao desafio no livro "Cradle to Cradle", mas é um raro exemplo de sucesso, e "Design for the Real World" ainda brilha como uma inspiração para os jovens designers.

"Foi um dos primeiros textos que li e que surgia com tanta urgência e com comentários tão crus e corajosos", disse Emily Pilloton, co-fundadora do Project H. "Eu tenho a maior consideração por Papanek, não só como grande pensador, mas como agitador."



Siga meu instagram de Design e conheça o meu novo livro "Design e Inovação para um Mundo Novo" onde dedico um capitulo inteiro ao Design Social e a Victor Papanek.

Junho 2021


segunda-feira, 14 de março de 2011

Etica sustentável ou sustentabilidade ética?

O aspecto mais difícil para ter uma sociedade mais justa, humanitária é justamente o ser humano. Somos o problemas e a solução ao mesmo tempo.

"Quando se fala em sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, sempre se menciona os já costumeiros e tradicionais aspectos tecnológicos, econômicos, ecológicos, sociais.

Mas esse discurso não toca no ponto chave para uma futura sociedade sustentável, a ética necessária para construir essa sociedade.

A ética pode ser definida como um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade.

Constatamos que até agora os nossos valores morais e princípios guiados por um capitalismo selvagem ou decapitalismo (decapitação) nos levaram a presente crise global financeira e ecológica.

No campo complexo e ambíguo da relação da ética e a sustentabilidade, temos como um exemplo as indústrias do cigarro, álcool (indústrias da morte).

Essa abordagem é necessária, já que a pergunta central é:

Como poderemos construir e depois (con)viver em uma sociedade sustentável no futuro com as industrias da morte?

Uma sociedade sustentável, teoricamente, implica numa sociedade com mais qualidade de vida e respeito a toda forma de vida.

O ponto é que as indústrias da morte vão contra o que representa ou desejamos de uma sociedade sustentável.

De acordo com a World Health Organization, o cigarro mata por ano cinco milhões de pessoas no mundo, uma pessoa cada seis segundos, sendo o maior problema de saúde publica mundial.

O álcool mata 2.5 milhões de pessoas por ano e representa um obstáculo para o desenvolvimento individual e social da sociedade. Além das mortes relacionadas ao álcool como crime e acidentes de carro.

Quais seriam os custos sociais do alcoolismo e do tabagismo, no sistema de saúde do país (hospitais, tratamentos), e no sistema econômico-produtivo?

Há um custo social-econômico derivado dessas cifras, um custo até agora bancado pela sociedade e Estado, e não pelas empresas responsáveis pelo consumo de seus produtos.

São as chamadas “externalizações negativas”: quando a produção e consumo de certo bem, impõem um custo externo à terceiras partes.

Essa terceira parte seria o consumidor, cujo consumo de cigarro e álcool gera um custo externo derivando daí um custo social.

Além das mortes e sofrimentos causados pelas indústrias da morte, há também o consumo de recursos naturais na fabricação do seu produto, os chamados custos externos da produção ou destruição do meio ambiente.

Mas quando a ética das indústrias da morte é o lucro, sem nenhuma preocupação pela vida humana e muito menos pelo meio ambiente, como se administrará essa questão mais adiante?

Mas sejamos justos, as indústrias da morte não obrigam ninguém a consumir, a sociedade como um todo, com a publicidade e a mídia, iludem e enganam o consumidor, levando a um consumo antes mesmo da adolescência no seu circulo social.

Como podemos construir uma sociedade com qualidade de vida, e respeito pela vida, se existe essa contradição profunda do espírito humano com as indústrias da morte e com outros aspectos de sua propia existência?

Estas indústrias, em algum momento, e contra a sua vontade, serão obrigadas, a incluir esse custo no produto, ou serão responsáveis por bancar o custo social gerado pelas externalidades negativas do consumo de seu produto.

Ou então, por favor,deixemos de ser idealistas e ingênuos, e encaremos a vida como ela é e como será, tenhamos uma sociedade sustentável tecnologicamente, logisticamente perfeita e eticamente imperfeita com todos os seus defeitos humanos; afinal uma futura sociedade sustentável nunca será um lugar perfeito, feliz e justo como a sociedade representada no filme Nosso Lar.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Design e Desenvolvimento Sustentável

No dia 20 de agosto de 2009 tivemos a presença do arquiteto e designer Marco Capellini da Design & Consulting e Matrec de Milão e Roma, para duas palestras programadas; uma na Fiesp e outra na Fundação Getúlio Vargas.

Segue-se um artigo que escrevi a partir da palestra de Capellilni.

A temática foi – Eco Design e a Construção do Futuro Sustentável.

Capellini possue uma vasta experiência metodológica e pragmática para o desenvolvimento de produtos e serviços sustentáveis.

Como ele mesmo cita, a palavra sustentabilidade está muito desgastada e muitos nem sabem bem o que ela significa. Nos últimos anos temos observado uma crescente preocupação das autoridades, associações ambientalistas e científicas com as questões ambientais, sugerindo prováveis catástrofes para o nosso planeta.

Infelizmente o nosso sistema produtivo ainda provém de uma noção de bem estar construido pela mente social, num contexto industrial localizado no último século na Europa e na América do Norte, onde a compreensão dos limites era escarsa e os recursos naturais eram dados por certo. Era o bem estar baseado no produto.

No começo da era industrial com o desenvolvimento da tecnologia e da ciência foi possível a materialização dos serviços na forma de produtos, por exemplo, os serviços de lavanderia deram surgimento às máquinas de lavar roupa, serviços de tocar música, rádios, vitrolas ou gravadores. A industrialização possiblitou a democratização do acesso, aumentando-se a quantidade de produtos disponíveis por preços cada vez menores.

Isto trouxe uma forma particular de bem estar, o bem estar de possuir, depois possuir para aparecer, para ter status, e consumir mais e mais produtos, o que caraterizou um modelo atual insustentável de produção e consumo. O problema é que esta noção de bem estar que permanece até hoje, é insustentável.

Para tanto, têm surgido uma série de normas que tentam coibir o uso desenfreado dos recursos naturais do nosso planeta, intervêm nos processos de produção que causam poluição, exigem tratamentos contra poluição dos efeitos criados por produtos industriais e finalmente tentam reorientar o comportamento social através do consumo sustentável.

Alguma coisa está mudando isto todos nós estamos percebendo.

Nunca as campanhas publicitárias se orientaram tanto para a venda de produtos ecológicos como hoje. Surgiram centenas de produtos mais “verdes”, leves, menores, mais baratos, feitos para serem consumidos mais rapidamente. Foram feitos também para conversar com a moda, como relógios que mudam em cada virada de estação, celulares e câmeras. Produtos que se aproximam da efemeridade e do descarte absoluto. Este tipo de produto e de campanha é chamada de “green washing” (lavagem verde). Este descarte sem critério ou afetividade, faz que sejamos a geração do”throw away”, sem nenhuma herança cultural para deixar para as futuras gerações.

Fazem certificações e marcas ambientais mas também arriscam de criar mais confusão do que informação.

Será que existe verdade em tudo o que dizem? E como nós poderemos saber?

A sustentabilidade não pode ser medida, pesada, tocada ou cheirada.

Ela só pode ser integrada ao produto através dos valores ambientais, sociais, e econômicos.

Materiais, processos produtivos, transporte, consumo e fim de vida são todos os aspectos que caracterizam a sustentabilidade de um produto. A tarefa dos designers e das empresas consiste em criar e produzir novos produtos levando em consideração todos os aspectos ambientais e sociais.

A tarefa do Designer é aquela de produrar encontrar a melhor sustentabilidade do produto através da escolha de materiais primários ou virgens e secundários (renováveis ou não) ou reciclados (pré ou pós consumo); dos processos produtivos; embalagem; sistemas de transporte; estocagem e funções de uso, sem esquecer a questão do descarte (pós uso). Esta última devendo-se pensar se o produto será restaurado, recuperado ou se se perderá por inteiro.

A tarefa da Empresa é de continuamente aperfeiçoar-se na escolha responsável de materiais, tecnologias e funcionalidades. Não basta vender um produto com a palavra Eco. Mas sim produzir valor de um modo competitivo, oferecendo para seus consumidores e para a sociedade em geral, soluções para garantir ou melhorar seu bem estar enquanto consumindo menos recursos e regenerando a qualidade do seu contexto socio ambiental.

A tarefa do Consumidor é aquela de conscientizar-se que tem uma grande força. Ele vai decidir o que comprar e usar e vai legitimar a existência de um produto ou serviço. É um consumo crítico. Um consumismo verde. Todas as pessoas devem agir como co-designers e co-produtores. Repensar no conceito de bem estar. Ao invés do consumo exacerbado consumir menos com mais qualidade. Descartar menos.

Entretanto um dos pontos mais enfatizados por Capellini na sua palestra foi que o consumidor só poderá executar a sua tarefa se os aspectos de sustentabilidade presentes no produto forem comunicados.

Sem Comunicação ou Informação o usuário não poderá ser formado. Não terá condições de reconhecer, comparar e escolher o valor socio-ambiental de um produto.

Suzana M. Sacchi Padovano
Mestre Designer Industrial
Studio Sacchi Designers
NUTAU/USP – Consultora em design industrial

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