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segunda-feira, 14 de março de 2011

Etica sustentável ou sustentabilidade ética?

O aspecto mais difícil para ter uma sociedade mais justa, humanitária é justamente o ser humano. Somos o problemas e a solução ao mesmo tempo.

"Quando se fala em sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, sempre se menciona os já costumeiros e tradicionais aspectos tecnológicos, econômicos, ecológicos, sociais.

Mas esse discurso não toca no ponto chave para uma futura sociedade sustentável, a ética necessária para construir essa sociedade.

A ética pode ser definida como um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade.

Constatamos que até agora os nossos valores morais e princípios guiados por um capitalismo selvagem ou decapitalismo (decapitação) nos levaram a presente crise global financeira e ecológica.

No campo complexo e ambíguo da relação da ética e a sustentabilidade, temos como um exemplo as indústrias do cigarro, álcool (indústrias da morte).

Essa abordagem é necessária, já que a pergunta central é:

Como poderemos construir e depois (con)viver em uma sociedade sustentável no futuro com as industrias da morte?

Uma sociedade sustentável, teoricamente, implica numa sociedade com mais qualidade de vida e respeito a toda forma de vida.

O ponto é que as indústrias da morte vão contra o que representa ou desejamos de uma sociedade sustentável.

De acordo com a World Health Organization, o cigarro mata por ano cinco milhões de pessoas no mundo, uma pessoa cada seis segundos, sendo o maior problema de saúde publica mundial.

O álcool mata 2.5 milhões de pessoas por ano e representa um obstáculo para o desenvolvimento individual e social da sociedade. Além das mortes relacionadas ao álcool como crime e acidentes de carro.

Quais seriam os custos sociais do alcoolismo e do tabagismo, no sistema de saúde do país (hospitais, tratamentos), e no sistema econômico-produtivo?

Há um custo social-econômico derivado dessas cifras, um custo até agora bancado pela sociedade e Estado, e não pelas empresas responsáveis pelo consumo de seus produtos.

São as chamadas “externalizações negativas”: quando a produção e consumo de certo bem, impõem um custo externo à terceiras partes.

Essa terceira parte seria o consumidor, cujo consumo de cigarro e álcool gera um custo externo derivando daí um custo social.

Além das mortes e sofrimentos causados pelas indústrias da morte, há também o consumo de recursos naturais na fabricação do seu produto, os chamados custos externos da produção ou destruição do meio ambiente.

Mas quando a ética das indústrias da morte é o lucro, sem nenhuma preocupação pela vida humana e muito menos pelo meio ambiente, como se administrará essa questão mais adiante?

Mas sejamos justos, as indústrias da morte não obrigam ninguém a consumir, a sociedade como um todo, com a publicidade e a mídia, iludem e enganam o consumidor, levando a um consumo antes mesmo da adolescência no seu circulo social.

Como podemos construir uma sociedade com qualidade de vida, e respeito pela vida, se existe essa contradição profunda do espírito humano com as indústrias da morte e com outros aspectos de sua propia existência?

Estas indústrias, em algum momento, e contra a sua vontade, serão obrigadas, a incluir esse custo no produto, ou serão responsáveis por bancar o custo social gerado pelas externalidades negativas do consumo de seu produto.

Ou então, por favor,deixemos de ser idealistas e ingênuos, e encaremos a vida como ela é e como será, tenhamos uma sociedade sustentável tecnologicamente, logisticamente perfeita e eticamente imperfeita com todos os seus defeitos humanos; afinal uma futura sociedade sustentável nunca será um lugar perfeito, feliz e justo como a sociedade representada no filme Nosso Lar.

terça-feira, 1 de março de 2011

GloboNews: Conceito de ‘Design Thinking’ tenta entender os desejos dos consumidores

Pessoal acabei de ver esse video da Globonews sobre Design Thinking, muito bacana vale a pena dar uma olhada. Exibido em 28/02/11

Empresas mergulham no mundo dos usuários dos seus produtos para que estes tenham mais chances de serem aceitos.


Consumidores, os usuários de produtos, estão na moda. Nesta onda de descoberta, ou redescoberta, da importância que eles têm para uma empresa, surge um conceito que está dando o que pensar: o Design Thinking. É uma estratégia de sobrevivência em um mundo cercado de concorrentes por todos os lados. É entender profundamente o que as pessoas querem, mergulhar no mundo delas e sair dali com um produto com mais chances de ser aceito.

Fonte: Globonews

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O designer da novela




Definitivamente o design está na moda. Prova disso é a figura do designer como um dos protagonistas da novela das 9. O sujeito, bem sucedido e premiado, é um poço de vaidades e ganha (com seu charme irresistível) todas as beldades que dele se aproximam. O glamouroso profissional também é disputadíssimo pelo mercado e acaba vendendo seu passe para um escritório de design em início de operações no Brasil, cuja proprietária (também designer com formação no exterior) é o ícone da mulher charmosa, culta e de bom gosto.

Vejam bem: ele não é artista, não é decorador, não é arquiteto. É de-zai-ner.

Tudo vai muito bem até que um dia o trabalho do designer (projeto de uma linha de móveis populares) sofre interferência do boss - um gestor irresponsável que, para reduzir custos de produção, substitui a matéria-prima indicada por outra inferior e com isso compromete a qualidade do produto.

(E não adianta dizer “eu não assisto novela”, porque no Brasil todo mundo sabe um pouquinho o que acontece na novela da Globo, nem que seja através das manchetes na internet).

Se não acontecer mais nada a tal novela já terá dado sua contribuição para nós, profissionais do Design. A simples menção da profissão “designer” já contribui para que o público em geral saiba que existe um profissional cuja função é projetar algo belo e funcional destinado a um público específico, visando segurança e a melhor relação custo-benefício. E conhecendo o alcance da telenovela no Brasil, sou capaz de apostar que muita gente que nunca tinha ouvido falar em design-designer agora está curioso para saber mais.

Ao contrário do que acontece na novela, a vida do designer é muito menos glamourosa do que parece, a remuneração é muito menor do que se insinua, e as condições gerais de trabalho, bem, não são lá essas coisas... Mas em compensação o autor acertou em cheio quando mostrou a falta de respeito a que somos submetidos quando alguém mexe no nosso projeto, seja para interferir na estética, seja para reduzir custos, seja por vaidade.

Eu também “não assisto novela”, mas estou curiosa pra saber quais aventuras viverá o personagem designer bem-sucedido que de certa forma nos representa na televisão.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Manual do Designer (para clientes)

É isso aí pessoal!! Pegando uma carona no vídeo abaixo, segue texto do meu livro
Um designer sozinho não faz milagres (http://www.rosari.com.br/)


Há anos ouço minha irmã Dentista reclamando da inconveniência de algumas pessoas (geralmente em festas e reuniões sociais) que insistem em pedir uma opinião sobre um dente, uma dor ou uma prescrição de terceiros, desrespeitando o profissional que estudou durante anos e não pode nem deve fazer recomendações sem antes analisar a situação.
Pensando bem, com o Designer a coisa não é diferente. Já perdi a conta de quantas vezes ouvi de empresários a frase "dá uma olhada no meu catálogo e me diz o que você acha". Ou então:  "faz um rabisco aqui pra eu ter uma idéia". E pior ainda: “bola aí alguma coisa e depois a gente vê...”
Para aqueles que não estão familiarizados com o trabalho do Designer seguem alguma dicas: 

Um “desenhinho, um rabisco ou um croquizinho” É o nosso trabalho, é projeto, é conceito que precisa ser pesquisado e desenvolvido.


Regra nº 1 - Para desenhar qualquer coisa é preciso se concentrar e utilizar toda a carga de informações que acumulamos em anos de estudo. E isso tem um custo.

Regra nº 2 - Se o cliente deseja apenas um desenho “para ter idéia” isto chama-se estudo preliminar e também tem custo. É como ir ao dentista e pagar pela consulta de diagnóstico – se o cliente vai ou não fazer o tratamento é outra história: o profissional recebeu pelo tempo dedicado e pronto.

Projeto é sinônimo de pesquisa, planejamento e método, recursos do bom profissional. Todo esse processo leva tempo, e assim:

Regra nº 3 - Se o cliente não dispõe de tempo para investir num projeto, é melhor nem contratar um Designer. 

Outra atribuição do Designer é avaliar protótipos. Mas apesar da tecnologia de informação ainda não e possível avaliar protótipos à distância, por telefone ou por fotos via e-mail. Portanto:

Regra nº 4 - Os deslocamentos para avaliação de protótipos devem ser pagos pelo cliente. E em caso de alterações e adaptações o cliente também terá que pagar.

Em muitas ocasiões o cliente, motivado por seu gosto pessoal, por opiniões de terceiros ou por uma pesquisa que leu não se sabe onde, decide "mudar um pouquinho o projeto".

Regra nº 5 - Neste caso o trabalho de conceituação do projeto deverá ser revisto, muitos desenhos deverão ser refeitos e consequentemente haverá um custo adicional.

É importante também que cliente conheça a reais funções e responsabilidades do Designer antes de contratar seus serviços. Todo Designer espera ser contratado para fazer um projeto e não para resolver problemas que foram criados por outros profissionais ou por uma gestão inadequada. Fazer a gestão do design é tarefa do cliente, pois é ele quem define as estratégias de sua empresa.

Regra nº 6 – Cabe ao cliente "brifar" o produto,  definindo qual deverá ser sua imagem no mercado-alvo.

A busca da inovação começa quando se propõe situações ainda não exploradas, mesmo que pareçam estranhas à primeira vista. O trabalho do Designer é antecipar cenários, investigar novas possibilidades. Portanto, caro cliente,

Regra nº 7 – Evite utilizar expressões como "viajar na maionese" quando se referir a uma proposta: isto não é engraçado para quem se delegou um projeto importante, visando resultados e lucro.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Designers X Clientes

Me encaminharam hoje achei bem engraçado, uma forma divertida de exemplificar uma das dificuldades que alguns de nós enfrentam no mercado. Vale a pena ver pelos argumentos dos clientes.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Design Inclusivo vai muito além da arquitetura e da acessibilidade

Ultimamente muito se fala em Design Inclusivo ou Design Universal, mas quase sempre o foco é entendido erroneamente, pensa-se apenas no âmbito arquitetônico. Esquecemos-nos ou não conhecemos os benefícios gerados pelo Design Inclusivo aplicado ao design de produto e ao design gráfico.
Um dos objetivos primordiais do design é proporcionar qualidade de vida a todos, sem exceção. Entretanto, parece que essa qualidade de vida é apenas um direito dos usuários sem deficiência ou dos usuários jovens e saudáveis.

Design Inclusivo

O Design Inclusivo não é um novo gênero, nem uma especialização separada.

É uma abordagem que garante que produtos e serviços projetados atendem às necessidades do público da forma mais amplo possível, independente da idade ou habilidade.

Duas fortes tendências têm impulsionado o crescimento do Design Inclusivo (também conhecido como Design for All e, como Desenho Universal nos EUA): o envelhecimento da população e o crescente movimento de integração de pessoas com deficiência na sociedade.

Veja alguns mandamentos do Design Inclusivo a serem seguidos:

• Uso equitativo: O design é útil e comercializável para pessoas com habilidades diversas;

• Flexibilidade no uso: O design acomoda uma ampla variedade de preferências e habilidades individuais;

• Simples e intuitivo: O uso do design é fácil de compreender, independentemente da experiência do usuário, conhecimentos, habilidades de linguagem ou nível de concentração;

• Informação perceptível: o design comunica eficazmente a informação necessária ao usuário, independentemente de sua capacidade sensorial do usuário;

• Mínimo esforço físico: O design pode ser utilizado de forma eficiente e confortável e com um mínimo de fadiga

Uma regra de ouro é ter sempre em mente que a terceira idade e as pessoas com algum tipo de restrição sempre serão potenciais usuários e como tais devem ser consideradas. Se aplicando princípios de Design Inclusivo, estarão sempre presentes na sociedade e passam a exercer o direito básico de qualquer cidadão de ir e vir, independente de seu estado físico.

Porém, erroneamente, ainda se acredita que Design Inclusivo é apenas uma adaptação rápida do entorno como a construção de uma rampa ou a instalação de elevadores para deficientes. Também, surpreendentemente, muitos designers não têm esse conhecimento ou consciência e ainda acreditam que o bom design é apenas aquele que está nas feiras internacionais de moveis e decoração.

Essa consciência de mudança para uma sociedade inclusiva deve partir de todos os segmentos da sociedade, principalmente do Estado que deve garantir o direito básico de qualquer cidadão de ir e vir, independente de seu estado físico.

Para isso é necessário:

1- Legislação

2- Standard (Normatizações)

3- Inspeções/auto-regulação

4- Mais informações aos fabricantes, empresários (benefícios fiscais, investimento para quem projeta Design Inclusivo)

5- Ensino/Formação em Design Inclusivo em várias áreas de conhecimento (ergonomia, design, engenharia, arquitetura, psicologia, medicina)

6- Prêmios e certificações/selos de “Design Inclusivo” em produtos e/ou serviços, sistemas e construções

7 Mais informação ao consumidor (Design Inclusivo é um direito do consumidor)

Benefícios do Design Inclusivo

Democratiza o design permitindo que uma maior variedade de pessoas possa acessar e utilizar o produto diretamente (ou com qualquer dispositivo de apoio); permite que o produto seja utilizado em uma variedade maior de ambientes ou situações. O Design Inclusivo é flexível o suficiente para atender às necessidades dos usuários iniciantes e avançados e também é amigável para os usuários em geral, é mais fácil de entender e usar.

O beneficio é individual, mas também se estende ao seu contexto imediato e à sociedade em si. O Design Inclusivo permite uma sociedade mais justa, com mais oportunidades econômicas para todos, gera independência física e emocional aumentando a auto-estima e a dignidade das pessoas.

O design é assim, uma questão social, já que permite melhorar a sociedade trazendo mais qualidade de vida ao proporcionar produtos, serviços e sistemas idôneos que contribuem para uma sociedade mais sustentável. O Design Inclusivo é socialmente desejável e necessário, mas também é uma oportunidade comercial que não pode ser desprezada.

Produtos e sistemas com Design Inclusivo são mais competitivos, gerando novas oportunidades de mercado e diferenciação quanto aos produtos similares tradicionais. Futuros mercados de consumo serão cada vez mais diversificados em termos de idade e capacidade física.

Agora o foco está em integrar as melhores soluções para todos, apoiado por novas técnicas de pesquisa de design para tornar o processo de desenvolvimento mais centrado no usuário.

Com esse foco é possível criar inovações em sistemas e serviços cotidianos gerando novas dinâmicas urbanas, sociais e econômicas que podem servir de modelos e ser aplicáveis a outros contextos, rompendo assim os paradigmas tradicionais e gerando uma sociedade sustentável inovadora.

 O presente do Design Inclusivo

Vivemos em um país com aproximadamente 24 milhões de pessoas com deficiência. Para cada pessoa com deficiência se afirma que há outras 2 a 3 pessoas afetadas diretamente. No âmbito familiar, então teríamos aproximadamente de 48 a 72 milhões de pessoas afetadas por essa situação. Infelizmente, estar “eficiente” hoje, não nos livra da possibilidade de sermos deficientes no dia de amanhã, sendo que a maior causa de deficiência são acidentes de trabalho.

Por outro lado os idosos são hoje 14,5 milhões de pessoas, 8,6% da população total do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2000 e, apesar de o Brasil ser um país jovem, é uma população crescente com uma longevidade cada vez maior. Entretanto, este mercado no Brasil é esquecido, ignorado.

Os fornecedores e produtos e serviços e a publicidade precisam deixar de lado o preconceito e considerar também as pessoas com deficiência e os idosos; afinal essas pessoas também têm poder de consumo e não é justo priorizar eternamente a beleza e a juventude.

Constatamos que uma grande proporção de produtos, serviços e sistemas em nosso cotidiano nunca foi pensada para pessoas com algum tipo de deficiência ou de idade avançada.

Proponho o seguinte exercício, ao começar o dia e durante uma semana, tome um pequeno caderno e anote tudo que não funciona direito e como poderia ser otimizado e você se surpreenderá com a quantidade de produtos, sistemas e serviços falhos.

Em países como o Brasil essa situação é pior ainda, vivemos em um entorno urbano material caótico e assustador no qual ser idoso ou deficiente é terrível.

O contexto urbano não ajuda; ao contrário, colabora para acidentes. Um entorno urbano inclusivo e bem projetado permitiria ao Estado economizar muito dinheiro no campo da Saúde reduzindo os acidentes urbanos derivados de um entorno material deficiente

O futuro do Design Inclusivo

O Design Inclusivo hoje está mais relacionado às ONGs, causas pessoais ou totalmente no campo da medicina, da reabilitação e da deficiência. Essas iniciativas são validas, mas devem entrar no âmbito industrial – empresarial e permear nosso cotidiano.

As empresas devem perceber que o segmento do Design Inclusivo é um mercado extenso e crescente que deve ser explorado, deixou de ser um nicho reduzido, sem importância. A Copa do Mundo e a Olimpíada vão obrigar o país a caminhar nessa direção, criando um Brasil inclusivo para os eventos de 2014 e 2016, mas também de natureza duradoura.

Há inúmeros fatores que nos levam por esse caminho. Temos, por exemplo, o envelhecimento mundial da população e, não podemos ter um desenvolvimento sustentável se deixamos de fora importantes segmentos da sociedade como os idosos e os deficientes.

Os próximos eventos mundiais previstos para acontecer no Brasil (Copa 2014 e Olimpíada 2016) serão uma vitrine para o mundo e, representam uma oportunidade histórica única para praticarmos o Design Inclusivo que será de importância fundamental para o sucesso desses eventos.

Se o tema da inclusão ficar marginalizado e não permear os eventos como uma diretriz central e orientadora, o país perderá uma oportunidade única de começar a construir, com sucesso e consciência, uma futura sociedade sustentável.

Sendo assim, não merecemos nem passar do primeiro jogo.

Links:

Estudo de casos: Design Council Uk

Helen Hamlyn Center – Design Research Center: HHC RCA UK

Fatores humanos no design : Bad Designs

>Artigo extraido de BDxpert <

Márcio Dupont é designer de produto especializado em Design Inclusivo. Para saber mais sobre ele: Blog

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade

A pesquisa “O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente ao Consumo Consciente, Percepção e Expectativas sobre a Responsabilidade Social Empresarial”, lançada na última terça-feira (14) pelos institutos Akatu e Ethos, mostra hábitos dos consumidores e como eles encaram as ações empresariais relacionadas à sustentabilidade.


Entre os diversos pontos analisados pela pesquisa, alguns merecem destaque.

O primeiro ponto é a pequena quantidade de consumidores considerados conscientes. O percentual de pessoas que se enquadram dentro deste perfil ficou em somente 5%, número equivalente a 500 mil consumidores.

Outro fator negativo dentro dessa mesma análise é a quantidade de pessoas indiferentes a esse assunto, que chega a 37%.

A maioria da população brasileira (84%) sequer ouviu falar ou não sabe definir ou define errado o termo Sustentabilidade. Apenas 16% apresentam alguma definição correta ou aproximada para o conceito.

A segunda conclusão de destaque é um pouco mais positiva e está diretamente relacionada aos consumidores mais conscientes.
 O resultado da pesquisa mostra que eles são um em cada três consumidores.
O dado mais relevante das pessoas que têm esse perfil é o fato de serem ativos e dispostos a influenciar outras pessoas e empresas.

A sustentabilidade ainda é um tema distante da maior parte dos brasileiros.
A comprovação disso está no fato de que, mesmo entre a população com altos graus de escolaridade, o percentual de pessoas informadas sobre sustentabilidade não chega nem a 50%.

O número aumenta ainda mais quando considera como parte desse grupo as pessoas com baixo envolvimento, chegando a um somatório de 60%.

Mais da metade dos consumidores, de todas as classes, faixas etárias e escolaridade, nunca ouviram falar do termo sustentabilidade. Isso mostra que por ser algo abstrato, o termo ainda é de difícil compreensão e prática.

Uma das áreas relacionadas à sustentabilidade, a Responsabilidade Social Empresarial (RSE), desperta mais preocupação entre os universitários e consumidores das classes A e B. Mesmo assim, ainda tem um percentual pequeno, apenas 16% dos entrevistados afirmaram buscar informações sobre a RSE.

No entanto, mesmo sem uma busca contínua em relação às ações empresariais, os consumidores assumiram que as empresas mais responsáveis têm mais prestígio que as outras.

O ponto apontado como uma das ações empresariais mais importantes é em relação aos direitos e ações trabalhistas.

A pesquisa aponta que “para ganhar corações e mentes dos consumidores, a sustentabilidade precisa ser apresentada não como conceitos sofisticados, mas traduzidos em práticas e propostas concretas. Tem que ser vista como o caminho mais curto, barato e desejável rumo à felicidade".

Veja a pesquisa completa no site da Akatu.

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