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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Números do cotidiano

(texto adaptado, originalmente publicado no Design Simples)

Números nos cercam por todos os lados e ajudam a organizar a populosa e complexa sociedade em que vivemos. Conforme surgem mais pessoas, documentos, endereços, linhas telefônicas, produtos, serviços ou qualquer nova necessidade de se inventariar algo, somos mais exigidos quanto aos números.

Em nosso dia-a-dia temos que memorizar desde o número da identidade até senhas de e-mail, anotar telefones, registros e até a frustrante tarefa de digitar códigos de barra, algo cada vez mais comum com o avanço dos meios de auto-atendimento bancário.

Se pararmos para pensar em toda essa diversidade, veremos que existem números mais fáceis de entender, memorizar, anotar ou até falar, do que outros. Às vezes o problema não é a quantidade de casas numéricas, mas sim a forma como tais números nos são apresentados. Uma determinada seqüencia de números pode ser dividida em grupos menores, separada por pontos, hífens ou barras, de modo a facilitar sua apreensão e torná-la mais inteligível possível.

Assim é possível dizer que existe design num número de CPF, por exemplo. Nele encontramos a preocupação com a eficiência de leitura e questões de cognição quando usa o hífen para isolar duas casas à direita. Portanto uma interface entre o dado numérico e seu observador.

Partindo da origem, na matemática pontos são utilizados para separar grupos de três casas da esquerda para a direita. Tal aglutinação indica sua leitura, assim como, por exemplo, em 1.234.567 onde se lê: um milhão, duzentos e trinta e quatro mil, quinhentos e sessenta e sete. Nota-se que números não inteiros são privados de pontos e sua leitura fica consideravelmente mais difícil como, por exemplo, em 0,123456 onde se lê: cento e vinte e três mil, quatrocentos e cinqüenta e seis milionésimos.

No telefone, convencionalmente, faz-se uso de chaves para indicar as duas casas que determinam o código DDD, em seguida, os oito dígitos restantes são agrupados em dois grupos de quatro casas separados por hífen. Por exemplo: (12) 3456-7890 Esta é uma configuração bastante difundida e conhecida. É tão intuitiva que faz com que raramente seja necessário indicar a palavra “fone” antes do número. No passado, quando ainda não existia o “web-site”, os anunciantes de televisão puderam se beneficiar da rapidez na leitura de seus telefones graças a este formato, economizando alguns segundos de exposição na tela. Visualizar o número de contato de um vendedor num comprimido classificado de jornal também fica mais fácil quando se adota este padrão de apresentação.

Documentos de identidade são problemas críticos, mais do qualquer outro, pois estes números nos acompanharão por toda a vida. No RG não existe uma quantidade pré-determinada de casas numéricas e os zeros à esquerda são desconsiderados, como no exemplo: 12.345.678-9 SSP-SP

Já no CPF, que é composto por 11 casas exatamente, considera-se os zeros à esquerda, como por exemplo: 001.234.567-89

A Carteira de Habilitação é um documento de identidade cada vez mais utilizado como alternativa ao RG e CPF, além de portar consigo ambos os números, é mais segura em relação às perdas e furtos. Porém suas vantagens terminam por aí. Copiar o número de uma CNH é um verdadeiro desafio para os olhos. São onze casas em seqüência, sem divisão alguma, como no exemplo: 11010987654321

Perder horas na fila do banco para pagar uma conta de luz é hoje uma opção. Os bancos têm realizados grandes investimentos nos canais de auto-atendimento o que tornou possível pagar contas em caixas automáticos ou até pela internet. Todo este esforço para simplificar a vida do cliente acaba em vão quando somos obrigados a digitar 48 casas agrupadas em apenas quatro campos. Um terror mesmo para os olhos mais habilidosos. A divisão em campos de 12 casas parece não ajudar muito, principalmente quando encontramos aquelas confusas seqüências de zeros consecutivos, bastante comuns e impossíveis de contar sem usar o dedo. Veja este exemplo: 123400000056 123456789012 123456789012 000123456789

Chaves de software, aquelas seqüências numéricas também extensas que temos que digitar quando instalamos algum programa em nosso computador, são bons exemplos de como facilitar a legibilidade de grandes números. Em alguns casos a seqüência é dividida em até cinco campos cujas últimas casas são isoladas por um hífen.

Por fim, os exemplos aqui apresentados nos mostram como boas interfaces são importantes e contribuem diretamente para a nossa qualidade de vida. Se já ficamos desconfortáveis quando precisamos ler um número de telefone todo aglutinado, sem separação entre casas (algo muito comum em agendas de celular, por exemplo), pense nos caixas de supermercado que precisam digitar manualmente extensos códigos de barras muitas vezes ao dia, ou ainda nos analistas cuja única função é comparar números de documentos.

Convido os leitores a citarem outros exemplos de casos tão frustrantes quanto estes. Situações que desprezam nossa cognição. Puras ausências de design, essencialmente interface.

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Rafael Gatti é idealizador do projetoDesign Simples.

quinta-feira, 31 de março de 2011

SketchChair - um conceito que satisfaz desejos

Tenho discutido com meus alunos em aula temas como personalização de produtos, cada vez mais ativa no portfolio das grandes marcas; o advento das compras on line, que tem conquistado espaço e confiança dos consumidores principalmente pela facilidade de comparação entre características e preços, sem a pressão de vendedores a sua volta; o compartilhamento de informações, perfis, experiências, tão difundido por ferramentas como facebook, twitter, blogs e afins; e os benefícios da produção local tendo em vista a logística de deslocamento de matéria-prima, componentes e produtos acabados. 

Quando me deparei com o site http://www.sketchchair.cc/, acessei por curiosidade e vi ali retratato alguns dos vários conceitos que tenho levado para debate em sala de aula.

A avalanche de informações que as pessoas tem contato via web tem as tornado mais críticas em relação ao consumo e principalmente à qualidade dos produtos e serviços que adquirem. Qualidade neste caso não somente relacionada ao material e à produção, mas qualidade visual, estética. O contato "virtual" com objetos desenvolvidos com apelo estético aguça o desejo das pessoas por produtos diferenciados.

O consumidor tomou gosto pela personalização e pela co-autoria dos objetos que adquire. "Gostaria que fosse menor, maior, mais claro, mais escuro, mais estreito, mais reto" O que esse site oferece é justamente isso, a possibilidade do desenvolvimento individualizado com vias efetivas para fabricação. Outra vantagem percebida é a alteração no modelo de negócio de tradicional. A pessoa não recebe mais em casa um produto pronto e embalado. Ela passa a receber uma "configuração" que pode ou não divulgar publicamente. "Eu fiz". O status de criador a seu alcance.

De posse das informações técnicas, o consumidor identifica um produtor local, com possibilidade de escolher a qualidade do material e do serviço, e contrata a confecção da peça. De qualquer lugar do mundo pode-se adquirir produtos - ou melhor, configurações - e fabricá-los localmente, sem problemas com frete, logística, crises globais, emissões de CO2, enfim....

Um novo conceito para pensarmos. Uma nova forma de comercializar coisas.

Gisele Leiva - Designer de produtos e docente em cursos de design

quarta-feira, 30 de março de 2011

BIC Cristal, 60 anos

(texto adaptado, originalmente publicado no Design Simples)

(texto adaptado, originalmente publicado no Design Simples)

Ano passado a inovadora caneta Bic Cristal, conhecida como um dos maiores ícones do design industrial, completou seis décadas. Através deste post, de espírito crítico, prestarei um tributo que faça jus ao compromisso deste produto com o aperfeiçoamento da realidade que nos cerca. É surpreendente observar como objetos simples e bem resolvidos como este, podem conter sub-partes muito mal resolvidas.

Aqui nosso objeto de discussão será a tampa da caneta. Enquanto encontramos, no seu corpo, uma verdadeira aula de como resolver as funções práticas de um objeto, na sua tampa já percebemos a forte hegemonia do formalismo que se sobrepõe às questões de uso.

Antes, para efeito didático, subdividiremos a tampa da caneta em duas partes: O “corpo principal” de perfil ogival e o “clipe”, aquele prolongamento que ajuda a prender a caneta no bolso da camisa.

Inicialmente, num primeiro olhar sobre sua forma, fica bastante evidente a incoerência que decorre da falta de correspondência entre o perfil circular do corpo da tampa e o perfil hexagonal do corpo da caneta. Se, por suposição, imaginarmos nunca termos visto uma Bic na vida, e nos desafiassem a desenhar o corpo da caneta conhecendo apenas sua tampa, muito dificilmente pensaríamos em algo hexagonal.

Numa observação um pouco mais detalhada, detectamos a presença de uma aerodinâmica sem justificativa para uma tampa de caneta. Trata-se do mais puro “streamlining”, forma de estilismo norte-americano cujo auge ocorreu na década de cinqüenta e que propõe a aplicar linhas aerodinâmicas nos produtos com a finalidade de persuadir os consumidores com mais facilidade. Lançada no ano de 1950, esta caneta possuía originalmente uma tampa cujo corpo principal apresentava uma ponta aguda sem nenhum orifício.

No início dos anos noventa, por motivos de segurança, sua tampa teve que sofrer uma pequena mudança que resultou num enorme ganho para seus usuários: sua ponta foi cortada na parte superior, eliminando assim a ponta aguda e ao mesmo tempo gerando uma abertura para passagem de ar. Com isso as crianças não conseguiriam mais sugar acidentalmente a tampinha da caneta que, como projéteis, feririam o fundo de suas gargantas no momento do dever de casa.

Mesmo desempenhando muito bem a função de clipe, mantendo a caneta pendurada com firmeza no bolso de uma camisa, um redesenho da tampa da Bic seria muito bem vindo. Seis décadas se passaram desde a sua criação e talvez hoje as pessoas usem mais camisetas do que camisas. E as mulheres, que se emanciparam e passaram a ocupar o mercado de trabalho nesse meio tempo? E as crianças, com todos seus requisitos de segurança?

Convido os leitores a pensarem em quais outras funções, mais adequadas aos dias de hoje, a tampa da caneta poderia atender. Qual seria a tampa ideal para a sétima década desta revolucionária caneta?

Bic Cristal, design: Décolletage Plastique Design Team, 1950.

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Rafael Gatti é idealizador do projeto Design Simples.

terça-feira, 29 de março de 2011

Revistas Ulm

(texto adaptado, originalmente publicado no Design Simples)


Recentemente foi disponibilizada para download a versão digitalizada de todas as 21 edições da revista Ulm. Esta foi uma revista interna da Escola de Ulm. Um precioso material, tanto pelo seu conteúdo quanto pelo seu projeto, bastante representativo da filosofia da escola.

Os links para os arquivos PDF podem ser encontrados na página do facebook de Tomás Maldonado (sim, ele está no facebook!), professor e reitor na escola entre 1954-66.

Segue o link: http://www.facebook.com/album.php?aid=229399&id=42695431452

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Imagem: Max Bill e Tomás Maldonado, reitores da escola em épocas diferentes.

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Rafael Gatti é idealizador do projeto Design Simples.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Design thinking: marketing para convencer clientes

(texto originalmente publicado no Design Simples)

Complementando os debates sobre a validade do termo design thinking, resolvi compartilhar com os leitores este trecho de uma matéria publicada na Revista Época Negócios. Aqui fins e meios são tratados sem reservas, vale a leitura:

“A Ideo conseguiu também associar seu nome ao movimento do design thinking com uma bela jogada de marketing. (…) A agência foi fundada por David, irmão mais velho de Kelley. (…) Em 1978, formou com amigos da faculdade uma pequena empresa chamada David Design. Em 1981, a agência desenhou o primeiro mouse com rolamentos para a Apple, mais barato e mais eficaz do que os similares de então. (…) Nos primeiros anos, David trabalhou para clientes como HP e Xerox. Mas logo percebeu que, se quisesse mudar o mundo, deveria expandir sua atuação.

Em 1991, associou-se a Bill Moggridge, que desenhou o primeiro laptop, e Mike Nuttal, especialista em design de gadgets. Surgia a Ideo. O negócio prosperava, mas não na velocidade imaginada por David. Ele já havia desenhado a metodologia que considerava essencial para encontrar novas oportunidades para as empresas. No momento de apresentar uma proposta de trabalho a um cliente, costumava separar as diferentes fases – compreensão dos objetivos, observação, discussão, criação de um modelo – e apresentar orçamentos independentes. Invariavelmente, ouvia dos clientes: “Não perca seu tempo. Comece pela fase três”.

David sabia que era justamente nos procedimentos preliminares que estava a diferença em relação aos concorrentes. Até que em 2003 David teve uma idéia marqueteira. Parou de chamar a Ideo de agência de design e inventou o termo design thinking. Os princípios revolucionários formulados por ele foram mantidos. Mas o novo batismo fez barulho, atraiu publicidade e terminou por convencer os clientes mais reticentes. O conceito, portanto, tem apenas seis anos, mas já foi incorporado por agências em todo o mundo. Nesse mesmo ano, David terminou de formatar o movimento do design thinking ao implantar na Universidade de Standford ad. School, um curso multidisciplinar voltado para qualquer tipo de profissional que forma, simplesmente, pensadores do design.”

Matéria de Ivan Padilla para a Revista Época Negócios, nº34 – 12/2009 – Ed. Globo


A versão completa digitalizada pode ser baixada neste tópico de Thiago Fontes no Design de Serviços BR: http://designdeservicosbrasil.ning.com/forum/topics/entrevista-de-tom-kelley-para


… e um minuto de silêncio para o “”"design thinking”"”. rs

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Imagem: Tom Kelley, da IDEO (foto de Renato Parada para Revista Época).

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Rafael Gatti é idealizador do projeto Design Simples.

Arte solidária – Planeta Sustentável

Não é nova, porem esta materia é interessante e pode abrir oportunidades a designers e grupos artesanais, boa leitura.


Os objetos que ilustram esta reportagem são resultado de uma parceria bem-sucedida entre design e artesanato. Feitas por gente simples e talentosa, as peças ganham refinamento e conquistam consumidores exigentes graças à orientação do designer, que valoriza os saberes do artesão e resgata suas técnicas. Conheça aqui cinco profissionais de São Paulo que fortalecem esse elo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Video do 24º Premio Design do MCB

Vejam o video do 24° Prêmio Design no site do MCB:


24° Prêmio Design MCB from Prêmio Design MCB on Vimeo.

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