quarta-feira, 26 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
O tal "bom desenho"
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Como foi a palestra "Design - o Único a Diferenciar a Marca" - Karim Rashid
sábado, 6 de agosto de 2011
Revista Ciano no.0
Revista digital colaborativa com compromisso em incentivar a reflexão sobre os rumos do design.
leia aqui o caderno Principal
sábado, 23 de julho de 2011
Design Thinking - Design Social na USP
Lucas Rodrigues / USP Online
lucas.mariano.rodrigues@usp.br
Quando pensam em design, as pessoas geralmente associam a palavra a diferentes práticas: da fabricação de produtos inovadores e da organização do interior de residências à criação de trajes inusitados nas grandes semanas de moda. O que muitos desconhecem, entretanto, é que para todas essas atividades criativas existe um processo lógico de produção envolvido, que requer, na maioria das vezes, o conhecimento profundo do público que determinado produto ou serviço pretende atingir.
Há algum tempo, essa metodologia própria dos designers, chamada de Design Thinking, vem sendo aplicada, também, em outras áreas do conhecimento. É o que propõe o curso de difusão Construindo competências colaborativas interdisciplinares e criatividade na resolução de problemas da sociedade — Uma introdução prática ao Design Thinking.
Alinhado ao modelo de Aprendizagem Baseada em Problemas e Projetos (ABPP), que faz parte do projeto acadêmico da EACH, o curso tem a intenção de enriquecer essa experiência na Escola, e de capacitar profissionais que atuem com a perspectiva de “aprender fazendo”.
Design Thinking na USP
A ideia de trazer essa metodologia para a USP surgiu quando, em 2008, Ulisses Araújo, professor da EACH e coordenador do curso, lecionou como professor convidado na Universidade de Stanford (EUA). O modelo utilizado em Stanford interessou o professor, que decidiu aplicar , também na EACH, essa prática que consiste na busca de problemas e soluções através da aproximação de profissionais de diversas áreas com membros da sociedade.
Composto por professores, alunos da graduação e da pós, assim como membros das comunidades beneficiadas, o público participante do curso será dividido em grupos de trabalhos e terá que elaborar problemas e encontrar soluções criativas para cada um deles. “O que a gente busca é uma articulação com a comunidade”, afirma Araújo.
Durante 12 semanas, os participantes desenvolverão suas ideias a partir de diferentes temas. Entre alguns assuntos já definidos, estão a promoção do desenvolvimento local por meio da área têxtil, a criação de um banco popular utilizando tecnologia da informação, a questão da acessibilidade para pessoas na terceira idade com problemas mentais, além de outros projetos na área da educação.
No final do curso, cada grupo apresentará o seu projeto em uma espécie de feira. Os resultados, porém, não precisam ser necessariamente materiais. “[O grupo] tem que ter elaborado um produto, um processo ou uma política”, explica o professor. Dessa forma, o propósito da experiência é estimular a criação, a elaboração de problemas, e a procura por diferentes metodologias de trabalho.
Outra medida que tem o objetivo de implementar o modelo do Design Thinking na EACH é a criação do Laboratório de Design, Inovação e Criatividade, que será responsável por utilizar esse método para desenvolver projetos focados em mudanças sociais. De acordo com Araújo, a intenção do Laboratório é que “todo projeto tenha um impacto social”.
Origens do método
O Design Thinking como modelo de ensino surgiu, inicialmente, na Universidade de Stanford. Segundo Reinhold Steinbeck, professor visitante de Stanford, que ministrará o curso de difusão na EACH, antes mesmo de ser implementado nas salas de aula, o Design Thinking já era um processo utilizado em muitas empresas. A diferença é que o método não tinha esse nome e não estava necessariamente ligado a uma forte aproximação voltada para o ser humano.
Para Steinbeck, “um dos maiores propósitos das universidades, hoje em dia, é criar a próxima geração de 'inovadores'”. Ele afirma, porém, que as instituições educacionais não estão oferecendo as habilidades e ferramentas necessárias para que os alunos desenvolvam ideias inovadoras para problemas cada vez mais complexos. Dessa forma, no universo acadêmico, esse método se desenvolveu a partir da “necessidade de trazer a competência da criatividade e a confiança de volta ao processo de ensino e aprendizado”, explica Steinbeck.
Apesar de concordar com o fato de que é preciso que mais pesquisas sejam feitas acerca da eficácia do Design Thinking, Steinbeck está convencido de que os alunos são mais engajados e alcançam melhores resultados quando trabalham com projetos do mundo real em áreas que os interessam. Além disso, acredita que o trabalho em grupos heterogêneos possibilita aos estudantes “a oportunidade de serem inovadores, criativos e colaborativos”, características que, para ele, serão muito cobradas no século XXI.
Steinbeck explica que existe, ainda, a possibilidade de que essa metodologia se expanda para outras Escolas e Faculdades da USP, como a Escola Politécnica (Poli). “Prevemos que a USP se tornará um ponto central para o Design Thinking no Brasil e na América Latina”, completa o professor.
Extraido de: DECE
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Victor Papanek: de maldito à ídolo do século 21
De maldito a ídolo: conheça a trajetória do designer norte - americano Victor Papanek
De Alice Rawsthorn - (Artigo extraido do UOL)
Como você se sentiria se tivesse escrito um livro que, em suas próprias palavras, fosse "ridicularizado ou barbaramente agredido" pelos seus colegas?
Ou se você fosse forçado a se afastar de uma entidade profissional, que, em seguida, ameaçasse boicotar uma exposição no Centro Pompidou, em Paris, se seu trabalho fosse incluído?
Todas esses afrontas -e mais- foram infligidas ao designer Victor Papanek depois da publicação do seu livro de 1971 "Design for the Real World".
Por quê?
Há uma pista na frase de abertura:
"Há profissões mais prejudiciais do que o design industrial, mas são poucas".
Papanek saiu acusando seus colegas designers pela produção de baixa qualidade, trabalho estilizado que desperdiçou recursos naturais, agravou a crise ambiental e ignorou suas responsabilidades sociais e morais. Doeu! Quatro anos mais tarde, ele foi descrito pela revista “Design” como uma pessoa “de quem seus próprios contemporâneos não gostava, e até desprezavam."
No entanto, Papanek riu por último. Em 1985 em seu prefácio à segunda edição de "Design for the Real World" (no Brasil, “Arquitetura e Design -Ecologia e Ética), ele observou com orgulho que a primeira edição havia sido traduzida para mais de 20 línguas e havia se tornado "o livro sobre design mais lido do mundo".
Ele morreu em 1998, mas 40 anos depois da primeira publicação, seu livro ainda é impresso e continua muito influente -e Papanek é louvado como um dos pioneiros do design sustentável e humanitário. Como diz Zoë Ryan, presidente da área de design e arquitetura no Art Institute of Chicago, "sua abordagem parece mais relevante do que nunca em tempos desafiadores como os de hoje."
Obra influente
Papanek foi até mesmo abraçado pelas autoridades do design. Seus arquivos foram recentemente adquiridos pela Universidade de Artes Aplicadas de Viena, que vai inaugurar a Fundação J. Victor Papanek em novembro, com um simpósio sobre o seu legado. A fundação também está colaborando com o Museu de Artes e Design, em Nova York, para apresentar o prêmio J. Victor Papanek Social Design.
Por que um livro de 40 anos se mostrou tão duradouro? Papanek escreveu vários outros livros sobre temas semelhantes, mas nenhum teve o impacto de "Design for the Real World". De fato, nenhuma obra sobre design teve tamanha influência.
"Design for the Real World" é, por qualquer definição, uma boa leitura, escrita com entusiasmo, convicção e autoridade. O arquiteto americano William McDonough, que o leu quando ainda um estudante de arte, em 1971, considera o livro como algo “muito simples, no entanto, curiosamente sofisticado: humanista, inteligente, sagaz e divertido."
O texto de Papanek foi criado com base em sua bagagem. Nascido na "Viena Vermelha", em 1927, quando a capital austríaca era governada por radicais social-democratas, ele teve uma educação particular na Inglaterra antes de se estabelecer nos Estados Unidos, em 1939.
"Falsos desejos"
Frequentou o curso noturno de arquitetura e design na Cooper Union, em Nova York, no final dos anos 40, e estudou na escola de arquitetura dirigida por seu herói, Frank Lloyd Wright, em Taliesin West, no Arizona. Mais tarde, Papanek se matriculou em um curso de engenharia criativa no Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Ele tentou a sorte com design comercial, mas detestou a experiência. "Design for the Real World" inclui uma dolorosa descrição de "meu primeiro, e espero que o meu último, encontro com ... o design cosmético" -um rádio portátil. Papanek buscou então uma carreira em pesquisa e ensino de design, principalmente projetos antropológicos realizados enquanto vivia entre Navajos, Inuits e outras comunidades indígenas.
No início dos anos 1960 ele já havia criado muitos dos princípios articulados em "Design for the Real World". Numa palestra em 1964, na Rhode Island School of Design, Papanek repudiou o design comercial como sendo "a perversão de uma grande ferramenta", e convocou os designers a satisfazer necessidades genuínas ao invés de "falsos desejos”.
Mais críticas do que propostas
Começou a escrever "Design for the Real World" no ano anterior. O texto final expressa sua visão sobre o design, acompanhado por uma variedade estonteante de referências, inclusive textos de Hermann Hesse e Arthur Koestler sobre as habitações da Drop City, uma comuna dos anos 1960 no Colorado, e uma fazenda californiana de porcos, cuja energia era gerada pelo estrume dos seus mil suínos.
"Design for the Real World" estava longe de ser impecável. Como muitos dissidentes, Papanek é mais forte criticando o status quo do que proporcionando alternativas (a fazenda de suínos energizada por esterco e o rádio que ele projetou a partir de lata cera de parafina e esterco de vaca pensando nos países em desenvolvimento eram exceções).
Ele próprio admitiu, no prefácio da segunda edição, que seu relato original sobre a contribuição que os designers ocidentais poderiam fazer para os países em desenvolvimento tinha sido "condescendente", subestimando o quanto eles poderiam aprender ali. Mas ele defendeu suas análises sobre a crise ambiental e as fraquezas da indústria de produtos manufaturados.
Abordagem inclusiva
Tais problemas vêm piorando desde então, e a visão corrigida de Papanek sobre o potencial do design para as economias em desenvolvimento é hoje amplamente aceita. As redes voluntárias, como o Project H e Architecture for Humanity permitiu que milhares de designers participassem de tais projetos. As mesmas idéias pelas quais Papanek já foi ridicularizado parecem cada vez mais prescientes.
O mesmo pode ser dito em relação a sua capacidade de apreciar as dimensões morais e sensuais do design. O designer suíço Yves Behar conheceu Papanek quando era estudante, na década de 1990, quando o veterano radical estava obcecado em repensar as viagens aéreas. "Ele imaginava grandes e confortáveis aviões ecológicos, econômicos e muito divertidos de se estar, com piscinas e academias de ginástica em pleno ar", disse Behar.
Papanek não foi o primeiro designer a defender uma abordagem inclusiva e sustentável para o design -R. Buckminster Fuller fez o mesmo nos anos de 1920- mas sua visão era surpreendentemente coerente. Seus sucessores passaram pelas tarefas mais difíceis e, em geral, mais maçantes, de explicar a logística de suas implementações. McDonough e o químico alemão Michael Braungart se prestaram ao desafio no livro "Cradle to Cradle", mas é um raro exemplo de sucesso, e "Design for the Real World" ainda brilha como uma inspiração para os jovens designers.
"Foi um dos primeiros textos que li e que surgia com tanta urgência e com comentários tão crus e corajosos", disse Emily Pilloton, co-fundadora do Project H. "Eu tenho a maior consideração por Papanek, não só como grande pensador, mas como agitador."
Siga meu instagram de Design e conheça o meu novo livro "Design e Inovação para um Mundo Novo" onde dedico um capitulo inteiro ao Design Social e a Victor Papanek.
Junho 2021
terça-feira, 7 de junho de 2011
O Design como pensamento estratégico
Como já me cansei de responder essa questão uma e outra vez, melhor escrever este artigo e quando alguém no futuro me perguntar, direcionarei a pessoa para este link!
Esse pensamento estratégico gera novas, e aperfeiçoa as já existentes, vantagens competitivas da empresa no mercado e frente a seus concorrentes, na forma de novos modelos de negócios, novos serviços – experiências – percepções de sua empresa para o consumidor e etc.
Sem o design, desde essa perspectiva, dificilmente produtos com Ipad, Iphone, e serviços derivados deles e ultimamente o Icloud teriam surgido no mercado, criando infinitos novos mercados e conservando mercados já existentes
O design é sempre um catalisador de inovações, a qualquer nível que seja aplicado!
Mas tem que decidir o que é estratégico, sustentável e inovador!
Isso porque não entendem ou não conhecem o beneficio do "design como pensamento estratégico em um contexto global corporativo”, e ainda acreditam muito erroneamente que um bom engenheiro especializado em gestão ambiental, processos, junto com administradores e financeiros “verdes” será mais do que suficiente para gerar novas dinâmicas sustentáveis internas e externas.
Sem o designer e a sua visão, as dinâmicas sustentáveis da empresa serão limitadas, conservadoras e de curto prazo.
Ela será sustentável sem o designer, importante dizer, mas não terá todo o seu potencial mapeado, conhecido e explorado.
É hora do empresário brasileiro deixar para atrás essa visão obsoleta de que o design somente é necessário caso a empresa desenvolva produtos físicos.
O design não existe mais apenas como um elemento físico – industrial para manufatura.
Caso ele queira realmente ser sustentável e inovador, precisará sempre do design como pensamento para a inovação e sustentabilidade!
Ele deve ter o seu respectivo lugar de destaque na busca da sustentabilidade empresarial brasileira neste século 21.
Afinal, visões conservadoras e quadradas, em qualquer âmbito da ação humana, não podem gerar sustentabilidade criativa e muito menos inovação!
