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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O tal "bom desenho"

Volta e meia me vejo em discussões sobre este ou aquele padrão de gosto. Já escrevi várias vezes, inclusive no meu livro “Um designer sozinho não faz milagres” que não se pode impor a beleza para quem não a vê.

Um exemplo? Embora eu admire muito o trabalho do Sergio Rodrigues, acho horrorosa a Poltrona Chifruda. Por outro adoro a cadeira Hill House, mas admito que é uma homenagem ao desconforto. Ambas são classificadas como o tal “bom desenho”.

Bom desenho pra quem?
De acordo com Dieter Rams (1932), designer industrial alemão e um dos mais influentes do século XX, estes seriam os dez princípios do Bom Desenho: 

O bom desenho é inovador
O bom desenho é funcional
O bom desenho é estético
O bom desenho é inteligível
O bom desenho é discreto
O bom desenho é honesto
O bom desenho é durável
O bom desenho é consequente
O bom desenho é sustentável
O bom desenho é minimalista

O problema, de novo, é que nem o minimalismo, nem a discrição, e nem mesmo a durabilidade são qualidades apreciadas por todos. A sociedade global do século XXI passou a valorizar produtos efêmeros, maximalistas, com forte identidade ou apelo emocional e que nunca serão unanimidade.

Outro dia ouvi um slogan no rádio que achei perfeito. Dizia: “O melhor vinho é aquele que agrada seu paladar”. Achei perfeito! Se determinada combinação de uvas e técnicas não me agrada, então de nada servem as classificações e indicações de especialistas... A indústria da moda também percebeu há tempos que não há como classificar e indicar o que é melhor. Alguém já ouviu falar em “boa moda”?

Mas voltando ao assunto design, minha pergunta é: quem pode assegurar hoje o selo de “bom desenho” para um produto?

Eu sempre defendi a idéia de que é preciso desenvolver a crítica de design no Brasil. O que observamos hoje são editoriais recheados de clássicos modernos e infelizmente os poucos veículos de informação especializados em design tendem a nomear de bom design aquilo que mais agrada seus editores. Eu sei, eu sei, essa é uma fraqueza humana: todos nós tendemos julgar belo aquilo que nos agrada. Mas nem por isso uma editora tem o direito de desconsiderar um produto-sucesso-de-vendas só porque ela não gosta da cor, do estilo, do designer ou da madeira... Sem falar na força dos editoriais pagos, que carimbam um monte de tralhas como “bom desenho”.

E tem mais: os prêmios de design, que em teoria deveriam ser uma chancela do bom desenho brasileiro, muitas vezes premiaram cópias descaradas do design internacional ou dos chamados clássicos. Essas cópias vêm etiquetadas como “releitura” ou “tributo”, dependendo do grau de amizade que o designer tem com quem manda. E no Brasil o produto que ganha um concurso vira “bom desenho” mesmo que não seja.

Todo mundo fala em inovação, em economia criativa e na importância de se desenvolver o design brasileiro, mostrando para o mundo nosso potencial. Mas para isto acontecer seria preciso que a indústria divulgasse o nome dos designers nos seus anúncios para o mercado, prestigiando os bons profissionais. Também seria preciso organizar um prêmio totalmente gerenciado por Designers atuantes e conhecedores da indústria e do mercado, sem vínculo com empresas ou com a imprensa (como o Compasso d‘Oro, da ADI italiana).

Outro pequeno detalhe: no mundo real quem vende design são os arquitetos, e a maioria deles quer mesmo o bom e velho design italiano, maciçamente publicado nas revistas e a um precinho bem camarada (não importando inclusive se são cópias). Para o arquiteto que especifica produtos visando a RT, o bom desenho é mero detalhe.

E finalmente, caro leitor, quero esclarecer que estas minhas observações referem-se ao Design sinônimo de Desenho Industrial. Quando questiono a classificação “bom desenho” estou visando móveis e outros produtos de produção seriada, que movimentam indústrias e alimentam o varejo de decoração no Brasil. As séries autorais e o design-arte não são alvos deste artigo porque gosto não se discute.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Como foi a palestra "Design - o Único a Diferenciar a Marca" - Karim Rashid


Ontem tive a oportunidade de assistir uma palestra com o figura do Karim Rashid, que faz parte do ciclo de palestras da 43ª House & Gift fair, organizada pela Grafiteiras.

Vou falar um pouco aqui sobre a palestra e se esquecer alguma coisa, aqueles que assistiram também acrescentem aí nos comentários.

Não entrando no mérito do gosto ou não gosto, porque sei que se tratando de Karim Rashid, ou a pessoa adora ou odeia. Foi uma palestra muito bacana e vou ressaltar umas coisas que foram ditas.

Ele falou uma coisa muito legal sobre a importância de você criar uma solução ORIGINAL, não só no design, mas em todas as outras áreas, seja por uma produto ou uma nova forma de fazer uma cirurgia, a partir do momento que você faz algo original, que nunca foi feito antes e que venha se destacar de alguma forma, você deixa de ser só mais uma pessoa das bilhões que existem no mundo, e a partir desse momento você escreve algo novo na história da humanidade. Pra ficar mais claro, MAC, IPOD, e companhia são marcos que sempre serão lembrados na história. Daí eu te pergunto "o que você como designer quer deixar pra contribuir com o mundo?"

Antigamente, segundo Karim, quando algo novo era criado, as pessoas sentiam necessidade de ter outra coisa já existente para associar, por exemplo o microondas que foi feito semelhante a TV, existia um certo "medo" ou receio por coisas novas, então se via necessário fazer tudo parecido com alguma coisa.  E hoje as coisas mudaram, as pessoas estão mais suscetíveis para o novo, as pessoas criaram um desejo pelo novo, pelo diferente, o Ipod quando lançado não existia nada que pudéssemos associar ou lembrar, era totalmente novo e foi o sucesso.    

Apesar de concordar, achei essa parte engraçada, porque quando você fala, por exemplo, de mercado moveleiro no Brasil, muitas vezes (só para não generalizar) parece que nunca saímos da época antiga, supondo que você crie um móvel totalmente original e diferente, vai lá bate na porta do fabricante (façam o teste e depois me digam se estou errado), vocês muito provavelmente vão escutar um "isso é muito diferente, não vai vender". Mas vamos ser otimistas, digamos que o fabricante tope, daí o fabricante vai apresenta pro lojista e muito provavelmente esse vai dizer " isso é muito diferente, não vai vender". Vamos mais longe, supondo que o lojista tope também, você ainda corre o risco de ir pra vitrine da loja e o consumidor olhar o produto, achar bacana, mas atravessar a rua e comprar nas Casas Bahia em 12x daqui a 30 dias. Muitos fabricantes, LOOOJISSTAAAAAS e consumidores ainda tem esse medo de mudar, medo de coisas novas e do desconhecido. Então eu acho que é importante entender que isso não se aplica a todos os casos, muito provavelmente esse consumidor que falei não é o mesmo que ficaria dias numa fila pro lançamento do Ipod, saibam onde cada um se encaixa.

Mas uma coisa que ele disse que concordei plenamente foi que as pessoas estão mais abertas a coisas novas que façam sentido, que tenham alguma coisa a acrescentar.

Se as pessoas estão querendo coisas novas, o que nós como designers estamos esperando? O que você que tá lendo esse post, que nunca apresentou uma idéia a empresa nenhuma, se formou e nem se lembra a ultima vez que colocou a ponta do lápis no papel, está esperando o que?

Fala tambem de muitos outros conceitos que mudaram também, cita um exemplo de uma empresa que fez os primeiros aparelhos de som menores, que na época todos eram grandes, as pessoas não quiseram pagar mais por um aparelho menor, hoje quanto menor mais nós queremos pagar.

Outra coisa interessante que ele falou foi das 4 dimensões do design. Como todos sabem ele acha o mundo muito cartesiano, que o homem inventou a linha reta, que na natureza não existe nada reto. Antigamente tudo eram muito 2 dimensões, retas x e y e tudo reto, hoje já é mais explorado as 3 dimensões, produtos são mais organicos, formas são mais exploradas e pra ele a 4 dimensão se refere ao emocional, acredita que os produtos vão cada vez mais criar vinculos emocionais com os consumidores, Steve Jobs que o diga.

Pessoalmente acredito muito nessa parte de design emocional, sinto isso na prática, quando desenho um produto que só me inspira o cliente, vendas, capacidade produtiva, publico alvo, etc, não me dá o mesmo tesão de quando desenho produtos que de alguma forma mexam com o emocional do usuário. Produtos que quando a pessoa olha dá risada, tem vontade de abraçar, cria um vinculo emocional, reage de alguma forma, do que aquele produto que só te atrai por ser bonito. Cada vez mais sou mais adepto ao design emocional.

Bom galerinha foi isso, para aqueles que não puderam ir esperam que curtam aí,

sábado, 6 de agosto de 2011

Revista Ciano no.0


Revista digital colaborativa com compromisso em incentivar a reflexão sobre os rumos do design.

leia aqui o caderno Principal

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Complemento Bases
Compartilhando conhecimentos..

Complemento Projeto
Questionando a forma como projetamos.

Complemento Filosofia
Reflexões sobre o design com um olhar filosófico.

Complemento Horizontes
Perspectivas para o futuro do design.

sábado, 23 de julho de 2011

Design Thinking - Design Social na USP

Curso na EACH pretende desenvolver capacidade criativa a partir de novo modelo de ensino

Lucas Rodrigues / USP Online
lucas.mariano.rodrigues@usp.br

Quando pensam em design, as pessoas geralmente associam a palavra a diferentes práticas: da fabricação de produtos inovadores e da organização do interior de residências à criação de trajes inusitados nas grandes semanas de moda. O que muitos desconhecem, entretanto, é que para todas essas atividades criativas existe um processo lógico de produção envolvido, que requer, na maioria das vezes, o conhecimento profundo do público que determinado produto ou serviço pretende atingir.


Há algum tempo, essa metodologia própria dos designers, chamada de Design Thinking, vem sendo aplicada, também, em outras áreas do conhecimento. É o que propõe o curso de difusão Construindo competências colaborativas interdisciplinares e criatividade na resolução de problemas da sociedade — Uma introdução prática ao Design Thinking.

Alinhado ao modelo de Aprendizagem Baseada em Problemas e Projetos (ABPP), que faz parte do projeto acadêmico da EACH, o curso tem a intenção de enriquecer essa experiência na Escola, e de capacitar profissionais que atuem com a perspectiva de “aprender fazendo”.

Design Thinking na USP

A ideia de trazer essa metodologia para a USP surgiu quando, em 2008, Ulisses Araújo, professor da EACH e coordenador do curso, lecionou como professor convidado na Universidade de Stanford (EUA). O modelo utilizado em Stanford interessou o professor, que decidiu aplicar , também na EACH, essa prática que consiste na busca de problemas e soluções através da aproximação de profissionais de diversas áreas com membros da sociedade.

Composto por professores, alunos da graduação e da pós, assim como membros das comunidades beneficiadas, o público participante do curso será dividido em grupos de trabalhos e terá que elaborar problemas e encontrar soluções criativas para cada um deles. “O que a gente busca é uma articulação com a comunidade”, afirma Araújo.

Durante 12 semanas, os participantes desenvolverão suas ideias a partir de diferentes temas. Entre alguns assuntos já definidos, estão a promoção do desenvolvimento local por meio da área têxtil, a criação de um banco popular utilizando tecnologia da informação, a questão da acessibilidade para pessoas na terceira idade com problemas mentais, além de outros projetos na área da educação.

No final do curso, cada grupo apresentará o seu projeto em uma espécie de feira. Os resultados, porém, não precisam ser necessariamente materiais. “[O grupo] tem que ter elaborado um produto, um processo ou uma política”, explica o professor. Dessa forma, o propósito da experiência é estimular a criação, a elaboração de problemas, e a procura por diferentes metodologias de trabalho.
Outra medida que tem o objetivo de implementar o modelo do Design Thinking na EACH é a criação do Laboratório de Design, Inovação e Criatividade, que será responsável por utilizar esse método para desenvolver projetos focados em mudanças sociais. De acordo com Araújo, a intenção do Laboratório é que “todo projeto tenha um impacto social”.

Origens do método

O Design Thinking como modelo de ensino surgiu, inicialmente, na Universidade de Stanford. Segundo Reinhold Steinbeck, professor visitante de Stanford, que ministrará o curso de difusão na EACH, antes mesmo de ser implementado nas salas de aula, o Design Thinking já era um processo utilizado em muitas empresas. A diferença é que o método não tinha esse nome e não estava necessariamente ligado a uma forte aproximação voltada para o ser humano.

Para Steinbeck, “um dos maiores propósitos das universidades, hoje em dia, é criar a próxima geração de 'inovadores'”. Ele afirma, porém, que as instituições educacionais não estão oferecendo as habilidades e ferramentas necessárias para que os alunos desenvolvam ideias inovadoras para problemas cada vez mais complexos. Dessa forma, no universo acadêmico, esse método se desenvolveu a partir da “necessidade de trazer a competência da criatividade e a confiança de volta ao processo de ensino e aprendizado”, explica Steinbeck.

Apesar de concordar com o fato de que é preciso que mais pesquisas sejam feitas acerca da eficácia do Design Thinking, Steinbeck está convencido de que os alunos são mais engajados e alcançam melhores resultados quando trabalham com projetos do mundo real em áreas que os interessam. Além disso, acredita que o trabalho em grupos heterogêneos possibilita aos estudantes “a oportunidade de serem inovadores, criativos e colaborativos”, características que, para ele, serão muito cobradas no século XXI.

Steinbeck explica que existe, ainda, a possibilidade de que essa metodologia se expanda para outras Escolas e Faculdades da USP, como a Escola Politécnica (Poli). “Prevemos que a USP se tornará um ponto central para o Design Thinking no Brasil e na América Latina”, completa o professor.


Extraido de: DECE


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Victor Papanek: de maldito à ídolo do século 21

De maldito a ídolo: conheça a trajetória do designer norte - americano Victor Papanek


De Alice Rawsthorn - (Artigo extraido do UOL)


Como você se sentiria se tivesse escrito um livro que, em suas próprias palavras, fosse "ridicularizado ou barbaramente agredido" pelos seus colegas?
Ou se você fosse forçado a se afastar de uma entidade profissional, que, em seguida, ameaçasse boicotar uma exposição no Centro Pompidou, em Paris, se seu trabalho fosse incluído?

Todas esses afrontas -e mais- foram infligidas ao designer Victor Papanek depois da publicação do seu livro de 1971 "Design for the Real World".

Por quê?


Há uma pista na frase de abertura:

"Há profissões mais prejudiciais do que o design industrial, mas são poucas".

Papanek saiu acusando seus colegas designers pela produção de baixa qualidade, trabalho estilizado que desperdiçou recursos naturais, agravou a crise ambiental e ignorou suas responsabilidades sociais e morais. Doeu! Quatro anos mais tarde, ele foi descrito pela revista “Design” como uma pessoa “de quem seus próprios contemporâneos não gostava, e até desprezavam."

No entanto, Papanek riu por último. Em 1985 em seu prefácio à segunda edição de "Design for the Real World" (no Brasil, “Arquitetura e Design -Ecologia e Ética), ele observou com orgulho que a primeira edição havia sido traduzida para mais de 20 línguas e havia se tornado "o livro sobre design mais lido do mundo".

Ele morreu em 1998, mas 40 anos depois da primeira publicação, seu livro ainda é impresso e continua muito influente -e Papanek é louvado como um dos pioneiros do design sustentável e humanitário. Como diz Zoë Ryan, presidente da área de design e arquitetura no Art Institute of Chicago, "sua abordagem parece mais relevante do que nunca em tempos desafiadores como os de hoje."

Obra influente


Papanek foi até mesmo abraçado pelas autoridades do design. Seus arquivos foram recentemente adquiridos pela Universidade de Artes Aplicadas de Viena, que vai inaugurar a Fundação J. Victor Papanek em novembro, com um simpósio sobre o seu legado. A fundação também está colaborando com o Museu de Artes e Design, em Nova York, para apresentar o prêmio J. Victor Papanek Social Design.

Por que um livro de 40 anos se mostrou tão duradouro? Papanek escreveu vários outros livros sobre temas semelhantes, mas nenhum teve o impacto de "Design for the Real World". De fato, nenhuma obra sobre design teve tamanha influência.

"Design for the Real World" é, por qualquer definição, uma boa leitura, escrita com entusiasmo, convicção e autoridade. O arquiteto americano William McDonough, que o leu quando ainda um estudante de arte, em 1971, considera o livro como algo “muito simples, no entanto, curiosamente sofisticado: humanista, inteligente, sagaz e divertido."

O texto de Papanek foi criado com base em sua bagagem. Nascido na "Viena Vermelha", em 1927, quando a capital austríaca era governada por radicais social-democratas, ele teve uma educação particular na Inglaterra antes de se estabelecer nos Estados Unidos, em 1939.

"Falsos desejos"


Frequentou o curso noturno de arquitetura e design na Cooper Union, em Nova York, no final dos anos 40, e estudou na escola de arquitetura dirigida por seu herói, Frank Lloyd Wright, em Taliesin West, no Arizona. Mais tarde, Papanek se matriculou em um curso de engenharia criativa no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Ele tentou a sorte com design comercial, mas detestou a experiência. "Design for the Real World" inclui uma dolorosa descrição de "meu primeiro, e espero que o meu último, encontro com ... o design cosmético" -um rádio portátil. Papanek buscou então uma carreira em pesquisa e ensino de design, principalmente projetos antropológicos realizados enquanto vivia entre Navajos, Inuits e outras comunidades indígenas.

No início dos anos 1960 ele já havia criado muitos dos princípios articulados em "Design for the Real World". Numa palestra em 1964, na Rhode Island School of Design, Papanek repudiou o design comercial como sendo "a perversão de uma grande ferramenta", e convocou os designers a satisfazer necessidades genuínas ao invés de "falsos desejos”.


Mais críticas do que propostas


Começou a escrever "Design for the Real World" no ano anterior. O texto final expressa sua visão sobre o design, acompanhado por uma variedade estonteante de referências, inclusive textos de Hermann Hesse e Arthur Koestler sobre as habitações da Drop City, uma comuna dos anos 1960 no Colorado, e uma fazenda californiana de porcos, cuja energia era gerada pelo estrume dos seus mil suínos.

"Design for the Real World" estava longe de ser impecável. Como muitos dissidentes, Papanek é mais forte criticando o status quo do que proporcionando alternativas (a fazenda de suínos energizada por esterco e o rádio que ele projetou a partir de lata cera de parafina e esterco de vaca pensando nos países em desenvolvimento eram exceções).

Ele próprio admitiu, no prefácio da segunda edição, que seu relato original sobre a contribuição que os designers ocidentais poderiam fazer para os países em desenvolvimento tinha sido "condescendente", subestimando o quanto eles poderiam aprender ali. Mas ele defendeu suas análises sobre a crise ambiental e as fraquezas da indústria de produtos manufaturados.

Abordagem inclusiva


Tais problemas vêm piorando desde então, e a visão corrigida de Papanek sobre o potencial do design para as economias em desenvolvimento é hoje amplamente aceita. As redes voluntárias, como o Project H e Architecture for Humanity permitiu que milhares de designers participassem de tais projetos. As mesmas idéias pelas quais Papanek já foi ridicularizado parecem cada vez mais prescientes.

O mesmo pode ser dito em relação a sua capacidade de apreciar as dimensões morais e sensuais do design. O designer suíço Yves Behar conheceu Papanek quando era estudante, na década de 1990, quando o veterano radical estava obcecado em repensar as viagens aéreas. "Ele imaginava grandes e confortáveis aviões ecológicos, econômicos e muito divertidos de se estar, com piscinas e academias de ginástica em pleno ar", disse Behar.

Papanek não foi o primeiro designer a defender uma abordagem inclusiva e sustentável para o design -R. Buckminster Fuller fez o mesmo nos anos de 1920- mas sua visão era surpreendentemente coerente. Seus sucessores passaram pelas tarefas mais difíceis e, em geral, mais maçantes, de explicar a logística de suas implementações. McDonough e o químico alemão Michael Braungart se prestaram ao desafio no livro "Cradle to Cradle", mas é um raro exemplo de sucesso, e "Design for the Real World" ainda brilha como uma inspiração para os jovens designers.

"Foi um dos primeiros textos que li e que surgia com tanta urgência e com comentários tão crus e corajosos", disse Emily Pilloton, co-fundadora do Project H. "Eu tenho a maior consideração por Papanek, não só como grande pensador, mas como agitador."



Siga meu instagram de Design e conheça o meu novo livro "Design e Inovação para um Mundo Novo" onde dedico um capitulo inteiro ao Design Social e a Victor Papanek.

Junho 2021


terça-feira, 7 de junho de 2011

O Design como pensamento estratégico

Como designer e analista de sustentabilidade sempre recebo a mesma pergunta vinda dos empresários de diferentes setores:

“Para que eu preciso de um designer se a minha empresa não projeta, nem desenvolve um produto físico? Eu trabalho com serviços, com o intangível!”

Como já me cansei de responder essa questão uma e outra vez, melhor escrever este artigo e quando alguém no futuro me perguntar, direcionarei a pessoa para este link!

Caro empresário brasileiro, o design acima de tudo, aporta para a sua empresa um “pensamento estratégico" – criativo, de inovação, independente se ela desenvolve produtos físicos ou não.
Esse pensamento estratégico gera novas, e aperfeiçoa as já existentes, vantagens competitivas da empresa no mercado e frente a seus concorrentes, na forma de novos modelos de negócios, novos serviços – experiências – percepções de sua empresa para o consumidor e etc.

Um exemplo conhecido é a Apple. Steve Jobs sempre foi um “design thinker” de primeira classe, ele sempre entendeu perfeitamente o valor e a aplicação do design como um pensamento estratégico – inovador para gerar inovação à todos os níveis possíveis, desde processos de engenharia (tangível) até criação de novos estilos de vida (intangível)!
Sem o design, desde essa perspectiva, dificilmente produtos com Ipad, Iphone, e serviços derivados deles e ultimamente o Icloud teriam surgido no mercado, criando infinitos novos mercados e conservando mercados já existentes

Esta qualidade criativa e inovadora é algo natural, inerente ao designer, pela sua mesma formação profissional, leva-o a ter sempre uma visão e abordagem sistêmica sustentável e a capacidade de entender e integrar as diferentes disciplinas dentro de uma empresa.

O design é sempre um catalisador de inovações, a qualquer nível que seja aplicado!

 O design é vital para que a empresa seja sustentável e inovadora em todas as suas dimensões (ambiental, social e econômica) funcionando também como um elemento unificador, criador e consolidador da cultura sustentável da empresa, em todos os níveis.
Frustrante verificar que comitês de sustentabilidade nas empresas, prêmios às melhores empresas sustentáveis, e até empresas certificadoras, não tem nenhum designer, afinal elas não produzem nenhum produto físico!

Mas tem que decidir o que é estratégico, sustentável e inovador!

Isso porque não entendem ou não conhecem o beneficio do "design como pensamento estratégico em um contexto global corporativo”, e ainda acreditam muito erroneamente que um bom engenheiro especializado em gestão ambiental, processos, junto com administradores e financeiros “verdes” será mais do que suficiente para gerar novas dinâmicas sustentáveis internas e externas.
Sem o designer e a sua visão, as dinâmicas sustentáveis da empresa serão limitadas, conservadoras e de curto prazo.
Ela será sustentável sem o designer, importante dizer, mas não terá todo o seu potencial mapeado, conhecido e explorado.

É hora do empresário brasileiro deixar para atrás essa visão obsoleta de que o design somente é necessário caso a empresa desenvolva produtos físicos.

O design não existe mais apenas como um elemento físico – industrial para manufatura.
Caso ele queira realmente ser sustentável e inovador, precisará sempre do design como pensamento para a inovação e sustentabilidade!

Já esta na hora do design ser percebido como um pensamento estratégico – criativo – inovador vital para a sua empresa, em todos os sentidos.
Ele deve ter o seu respectivo lugar de destaque na busca da sustentabilidade empresarial brasileira neste século 21.

Afinal, visões conservadoras e quadradas, em qualquer âmbito da ação humana, não podem gerar sustentabilidade criativa e muito menos inovação!

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