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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Cerimônia de Premiação - IDEA/Brasil 2013

Mais um ano com a renovada parceria e patrocínio do SEBRAE. 
Este ano com muitas surpresas e um Prêmio Destaque Especial de Design 
para a micro e pequena empresa.




Conferência Internacional MOB Design - Curitiba


terça-feira, 17 de setembro de 2013




terça-feira, 16 de julho de 2013

Trophec - Ferramenta para Ciclo de Vida




O Designer mexicano Victor G. Martinez desenvolveu Trophec em seu doutorado na Northumbria University - Inglaterra.

A ferramenta ainda está sendo aprimorada e  ele pede colaborações de designers, engenheiros, empresas de design para melhorar a sua proposta inicial.

Você pode ajudar de três maneiras diferentes:

1 -. Simplesmente usando a ferramenta, tanto quanto você quiser, é livre para qualquer pessoa, independentemente de idade, profissão ou experiência.

2 -. Permitir que ele participe com sua equipe em um de seus projetos para o desenvolvimento de um estudo de caso, se você quiser participar, entre em contato pelo site.

3 -. Melhorar a ferramenta  (UX projetistas, designers gráficos e engenheiros certamente têm idéias que podem fazer de Trophec uma ferramenta muito mais útil.)

MAS O QUE É TROPHEC?

"Enquanto a análise do ciclo de vida (hard modeling) servem para fornecer uma compreensão detalhada dos impactos de produtos existentes, Trophec (soft modeling) serve para ter uma melhor visão de novos produtos, novas estratégias de negócio e seus sistemas.

Trophec é uma ferramenta para envolver as pessoas de uma forma lúdica e simples no design e investigar o ciclo de vida de um produto. "


O objetivo de Trophec é chamar a atenção para a solução, para criar uma "visão pré-analítica", a fim de produzir soluções criativas e sustentáveis, dentro dos limites do projeto. Em outras palavras, transformando problemas de sustentabilidade que precisam ser mitigados numa fase posterior, em problemas de criatividade que impedem esses problemas antes que eles realmente ocorram ".
VISITE TROPHEC 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Mottainai


A primeira vez que ouvi esta expressão foi numa pizzaria em Milão, anos atrás. Eu estava triste por não conseguir comer aquele último pedaço da pizza carcioffi, e lamentei. Ao meu lado estava um amigo de origem japonesa que me disse: “Na cultura nipônica há uma expressão para este seu sentimento - é Mottainai”. As explicações que vieram a seguir me deixaram encantada. Anotei a palavra num guardanapo e levei o último pedaço da pizza para o hotel.

Quantas vezes lamentamos as sobras de alimento que vão para o lixo, o desperdício, o consumo desnecessário ou exagerado de produtos, recursos e energia? Isto é Mottainai. 

Mottainai é uma expressão japonesa que denota a atitude de não desperdiçarmos qualquer tipo de produto, recurso físico ou humano e acima de não despediçarmos nossas vidas. Não há uma tradução exata para outras línguas: “Mottai” significa a essência ou real valor de alguma coisa e o negativo “nai” significa “não”.

Algumas definições para Mottainai:

"Mottainai é uma forma de dizer obrigado a alguém que te ajudou"
"Mottainai é o sentimento de saudade de coisas que foram perdidas"

"Mottainai é uma pequena bondade que por vezes perde para o Mendokusai (tarefas chatas)"

"Uma mentalidade de apreciar todas as coisas deste mundo e utilizá-las sem desperdício."
Japan Junior Chamber (Global Mottainai Movement)

"Ela tem significado amplo. Ao mesmo tempo em que expressa um profundo agradecimento pela vida e por tudo o que se tem, significa também não ao desperdício e a valorização dos recursos. Mottainai significa, então, uma maneira mais humana de cuidar e de se relacionar com o planeta e com a vida. Uma filosofia que norteia atitudes vitoriosas de milhares de pessoas no mundo todo."
Chieko Aoki (Empresária da Blue Tree Hotels)

"Certas palavras japonesas não têm tradução em português. Por mais que nos esforcemos, o máximo que conseguimos é fazer comparações, dando um sentido a elas. Mottainai é uma dessas palavras, mas com profundo significado. Tudo o que poderia ser poupado ou preservado - e por qualquer razão deixa de ser - é Mottainai."

"Mottainai é um modo de vida, uma atitude consciente de cuidado com tudo que nos cerca. 
Reduzir, Reutilizar, Reciclar + Respeitar. Este é o 3R+R que conceitua o Mottainai."
Hideaki Iijima (Empresário do Soho Hair International)

"Mottainai! A expressão da língua japonesa pode ser interpretada como “que desperdício!”. 
Literalmente, pode ser compreendida como “faltando com a dignidade do objeto”, ou seja, parte do princípio de que se uma pessoa não é capaz de aproveitar ao máximo o uso de algo, não deveria nem mesmo possuí-lo, pois simplesmente não merece o direito ético ao material. Trata-se de uma expressão penosa, de tristeza, que denota a negação do vínculo entre todas as coisas." (Maria Clara Takaki, pesquisadora do Ideia Sustentável)

Mottainai, enfim,  é um caminho seguro para o design do futuro.

Leiam mais sobre o Mottainai aqui. 

Curtam Mottainai no Facebook!

Este artigo foi publicado originalmente em 18 de julho 2010.


sábado, 22 de junho de 2013

Para quê criar produtos?

Caros leitores do Falando

Andei meio sumida por aqui devido à falta de tempo com muitos projetos e viagens, até receber uma nova convocação do Dan Nishiwaki para postar algo. Muito bem: como meu artigo 'Designer X Projetista' continua no topo da lista Top 10 deste blog e rendeu muitas discussões (e comentários totalmente desfocados do assunto original), decidi voltar às polêmicas que adoro.


Mas antes de escrever algo novo quero contribuir com a discussão do texto 'Consumismo, obsolescência, design e o mito da sustentabilidade', do colega Rafael Morgan. Os questionamentos a respeito da ética e da responsabilidade do designer na criação de novos produtos são legítimos e ocorrem desde o nascimento da 'sociedade de consumo'. A cada período histórico a sociedade tem novos desafios a cumprir rumo à sobrevivência do planeta e das gerações futuras. Houve períodos em que a humanidade se mobilizou para registrar sua história, para conter doenças, para produzir ou acabar com as guerras. Hoje vemos nosso planeta ameaçado, e portanto a pauta da sociedade contemporânea é preservar recursos. Ponto final.


Na minha humilde opinião (e do alto dos meus 30 anos de carreira como designer), essa discussão toda sobre o consumo nocivo é bobagem porque cada um de nós tem seus valores, desejos e necessidades (principalmente aqueles que agora participam de uma economia emergente e podem realizar seus sonhos de conforto e status). O designer não tem a responsabilidade de catequizar a sociedade, impondo padrões de consumo. O papel do designer é contribuir para que a roda da economia gire de forma eficiente, criando produtos sintonizados com seu tempo e, como a questão ambiental é importante, que seja contemplada em seus projetos. 


Para o colega Artur, que perguntou pra que criar? porque ser designer, se já existem cadeiras, mesas, tudo? eu respondo: 

1. Porque vivemos num mundo material (às vezes materialista), e nos acostumamos com a funcionalidade e tecnologia dos objetos para facilitar nossas vidas. Aqui entra o trabalho do designer.


2. Porque precisamos de beleza para tornar nossas vidas suportáveis e prazerosas (até os Shakers, que produziam móveis e ferramentas para seu próprio uso baseados nos preceitos da simplicidade, sem elementos supérfluos ou decorativos, buscaram a beleza através da perfeição, pureza, ordem, durabilidade, funcionalidade e utilidade). Aqui entra o trabalho de designer.


3. Porque vivemos neste mundo desenhado a partir da Revolução Comercial, onde as sociedades se desenvolvem através da compra e venda de produtos. Aqui entra o trabalho de designer.


Abaixo reproduzo um texto que escrevi em 2008, mas que continua atual:


Uma designer em crise


Ao longo da minha vida tenho buscado, paralelamente, desenvolver uma carreira bem sucedida e viver com pouco. Tendo escolhido o Design como forma de expressão e meio de vida, uma carreira bem sucedida significa criar produtos que despertem no consumidor o desejo de possuí-los. E viver com pouco significa evitar o desperdício e exercitar a simplicidade.


Então, não é um enorme contra-senso atuar como Designer e cultivar o desapego? Durante anos me senti confusa com esta questão. Afinal, minha função na sociedade é estimular o consumo e até criar necessidades inexistentes.


Gandhi disse: “Precisamos SER a mudança que queremos VER no mundo”. 

E SER é tão diferente das seduções trazidas pelo TER!

Numa visão mais pessimista, muitos enxergam apenas o lado nocivo da frenética busca por novidades. E neste cenário o designer assume o papel de vilão ao promover a febre de consumo que move mas destrói o planeta. Mas e a busca da beleza, do prazer e do conforto, onde fica?


Minha redenção começou quando descobri que, como designer ou consumidora, é possível “ser coerente”. Mais do que ser ecológica ou ser sustentável (não gosto de palavras da moda), ser coerente é reduzir o consumo, reciclar, reutilizar, reaproveitar, redesenhar... Infelizmente o mundo à nossa volta não é nada coerente. As sociedades conhecem o problema da emissão de gases poluentes, mas nos grandes centros urbanos milhares de pessoas mantêm um segundo veículo para o “dia do rodízio”. Todos conhecem a importância de economizar água, mas quando se trata de lavar o carro na calçada a resposta é “tô pagaaaaando...” E há também os consumidores “responsáveis” que abarrotam o armário com mimos ambientalmente corretos a fim de redimir sua consciência consumista.


O design de produtos tem a função de proporcionar conforto e comodidade, embora quase nunca questionemos profundamente seu impacto para o ambiente e a sociedade. Então, é função do designer questionar o impacto - negativo e positivo - gerado pelo produto que está projetando.


A partir da Revolução Industrial (que nos conduziu à idéia de que a beleza de um objeto depende de sua utilidade e eficiência) a relação homem/objeto vem mudando constantemente. Inúmeros produtos consagrados pelo tempo foram adaptados para finalidades que seus criadores jamais imaginaram, enquanto outros foram reinventados em novos materiais e tecnologias não disponíveis na época de sua criação. A obsolescência embutida em quase todos os produtos e a agressividade de alguns processos produtivos são fatores ainda ignorados e por isso mesmo devem estar na pauta de discussões de toda a sociedade cada vez mais ameaçada.


Mas o chamado “consumo consciente” vem alterando o conceito de beleza dos bens duráveis, que atualmente devem garantir um bom desempenho funcional, ser amigáveis, estar alinhados com o estilo de vida do público-alvo e ainda garantir a sustentabilidade econômica, ambiental e social.


Dizia um professor meu nos tempos de faculdade: “quanto melhor designer você for, menos desenhará”. É claro que demorei um pouco para entender e hoje concordo plenamente. Quando fica preso somente ao ato de desenhar, o designer deixa de pensar, planejar. Com o amadurecimento de nossa atividade no Brasil veremos designers cada vez mais engajados na produção de objetos inteligentes, comprometidos com o desenvolvimento sustentável e livres das crises de consciência.

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