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sexta-feira, 25 de junho de 2010

O potencial do Brasil como protagonista no desenvolvimento humano sustentável.

Após assistir a palestra de Oskar Metsavaht pensei em como traduzir sua mensagem para aqueles que não puderam estar presentes. De início seu conteúdo pareceu-me algo que eu já ouvira falar tantas e tantas vezes, mas logo percebi que desta vez não era teoria e sim uma mensagem de alguém que a tem posto em prática diariamente com muito sucesso.

O Brasil é visto por Oskar, como no hino nacional brasileiro – “gigante pela própria natureza”; mas sem ufanismo. Uma real apreciação das qualidades e propriedades que a nossa natureza oferece, e que pode vir a ser de alguma forma a resposta para aquela que tantas vezes é a pergunta de profissionais do design, das artes, da moda e de outras atividades, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, quando se trata de saber qual é a marca Brasil.

Fazer esta leitura do ”made in” quando estamos de fora, quando olhamos outros países, até parece fácil. O que vem do estrangeiro sempre teve e ainda tem um “appeal” especial, sempre pareceu superior e sedutor. Calcados e sinalizados por anos e anos a fio como “os tristes trópicos”, ou por muitas outras qualificações sígnicas negativas, certas ou erradas, estas acabaram por subestimar nossa capacidade intelectual, as quais fizeram por atrasar e acachapar nosso desenvolvimento e reconhecimento mundial.

Como resolver este problema? Qual a resposta? Como reformular e mandar esta mensagem do “Made in Brazil” ao mundo? Pareceu-me que Oskar tem muito a dizer a esse respeito.

Segundo afirma, o mundo atual encontra-se num momento de grande transformação o que nos impõe uma reflexão e repensamento das questões e valores básicos. O Planeta necessita renovar-se através da arte, ciência e da filosofia. Para tanto é necessário que surja um novo personagem, um humanista misto de artista e cientista que possa refletir sobre os novos tempos e propor novas direções.

Quando nos perguntamos que é o “Made in USA”? Qual é a mensagem conotativa que nos vem à cabeça? É a imagem é da modernidade, do arrojo e da qualidade, do estar sempre na frente. Resume-se na imagem do sonho americano; com a marcas como por exemplo, a Apple, Walt Disney, Universal, 20 Century Fox.

E o que é o “ Made in Europe”? A resposta é a tradição cultural, o cuidado do bem feito, a sofisticação e o requinte, através de marcas como Gucci, Louis Vuiton, Chanel, Nestlé, entre outras.

E o que é o “Made in Japan?” É a forte inserção japonesa no mundo com sua alta tecnologia, com as marcas como Canon, Sony e Yamaha.

E o que é o “Made in India”? É a sua espiritualidade, sua religiosidade e seu modo de ser e de pensar daí consequentes.

E o “Made in China”? Infelizmente apesar de sua cultura milenar, o que restou hoje em dia de sua imagem é sua habilidade de copiar uma infinidade de produtos de todo o mundo.

E finalmente chegamos na pergunta chave de toda sua palestra que é: o que é o “Made in Brazil”?

Para Oskar Metsavaht, “Made in Brazil” é o “Created in Brazil”, cuja fórmula é Criatividade + Sustentabilidade.

O Brasil é um país jovem, “fresh”, culturalmente globalizado pois possui todos os aspectos anteriormente citados. O sonho americano, a herança cultural européia, a cultura africana, as filosofias orientais e o conhecimento indígena. Um país com um mix étnico-cultural. Nele podemos encontrar índios, europeus latinos e germânicos, negros africanos, árabes e asiáticos.

Se por um lado encontramos no Brasil uma grande quantidade de Ongs bem intecionadas mas que não se conhecem e mesmo não se falam, do outro lado temos também uma série de empresas praticando uma série de ações sustentáveis que da mesma maneira não trocam informações ou comunicam-se entre si ou com as Ongs.

É nesse momento que nasce o Instituto e com a missão de promover e posicionar o Brasil como protagonista em desenvolvimento humano sustentável, através da criação e gestão de uma rede que potencialize sinergias entre diferentes iniciativas e agentes da sociedade. Foca em comunicação para influir, sensibilizar e educar em prol dos cincos “e” s que definem suas linhas de atuação: earth, environment, education, energy e empowerment. Dentre seus parceiros, encontram- se Unesco, ISA, Renctas, WWF, EcoFuturo, Associação Brasileira Terra dos Homens, ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade), Instituto Ecológica, Cantor CO2 e Brazil Foundation.

Possui 7 projetos “main stream”, a saber:

E-BRIGADE – Movimento de combate à desinformação ambiental e de ativismo individual, que se vale de meios alternativos de comunicação para transformar conceitos em atitudes. Por seu intermédio, promove a divulgação de princípios expressos por tratados internacionais – Carta da Terra, Agenda 21, Protocolo de Kyoto, Convenção da Biodiversidade e Objetivos do Milênio – e defendidos por importantes ONGs, como Renctas, WWF, Instituto Socioambiental, UNESCO entre outras.

E-FABRICS – Projeto que identifica tecidos e materiais desenvolvidos a partir de critérios socioambientais para o futuro sustentável do planeta em parceria com empresas, instituições e centros de pesquisa brasileiros, como: lona de caminhão reciclada, couro vegetal, poliéster de PET reciclada, algodão orgânico, látex natural da Amazônia, couro de peixe, lona de juta, entre outros que promovem a preservação de nossos recursos naturais, a valorização de nosso patrimônio, o empoderamento de profissionais e comunidades, bem como o comércio justo.

PROJETO MAIS IPANEMA – Através de uma parceria público-privada (com aporte da Grendene), promove melhorias no bairro de Ipanema –RJ. O Instituto adotou o Parque Garota de Ipanema, no Arpoador, reformando-o e revitalizando-o de modo que agora este parque municipal, outrora abandonado, voltou a ser uma opção de lazer e de divertimento. Os canteiros situados na areia da praia de Ipanema também estão sendo adotados pelo Instituto – em parceria com a Osklen – com a intenção de recuperar e preservar a vegetação de restinga.

GPSA ­– Global Partnership for Sustainable Attitude – Parceria entre o Instituto e a CantorCO2e, braço da Cantor Fitzgerald, líder mundial em negociação de créditos de carbono. Tem como objetivo oferecer soluções integradas de sustentabilidade a empresas e instituições. Sua primeira ação concreta foi o inventário de emissões das lojas da Osklen, que então se tornou a primeira rede no varejo de moda a ter suas emissões neutralizadas através da compra de créditos de carbono social.

Projeto Costurando Vidas, desenvolvido junto à Cooperativa de Reciclagem de Marambaia – São Gonçalo – RJ, capacita costureiras para a confecção de brindes corporativos e acessórios de moda, facilitando a geração de renda e inclusão social em um dos municípios com menor IDH do estado do Rio de Janeiro.

Projeto Parque Ecológico Olandi-Jurerê, desenvolvido em parceria com a empresa Habitasul, tem como objetivo ampliar as ações de proteção à natureza e conscientização ambiental em Florianópolis – SC. O Instituto realizou a pesquisa e o diagnóstico para a implantação deste parque que é uma RPPN (Reserva Particular de Proteção à Natureza).

Save your lifestyle. Act now

Oskar Metsavaht entende ainda que produtos com design atrativo possibilitam a criação de um real desejo de consumo responsável. Por isso, oferece, há mais de uma década, o know-how de sua equipe de criação e comunicação na Osklen, grife recentemente reconhecida como uma das cinco “Future Makers” pelo WWF-UK. Com auxílio do Instituto e, divulga temas e desenvolve produtos associados a uma nova consciência global e ao paradigma do Desenvolvimento Humano Sustentável.

Oskar, diretor criativo e dono da Osklen, associou sua consciência ambiental com o desenvolvimento de uma coleção de roupas sustentável, feita de algodão orgânico, couro de peixe e borracha natural macia entre outros, todos materiais ricamente coloridos. Ele advoga a existência de uma grande quantidade de materiais sustentáveis no Brasil, mas afirma que ainda a maioria das empresas ou Ongs não sabem torná-los atrativos, usando ainda uma linguagem pobre de recursos estéticos mais elaborados ou culturalmente mais aceitos pela grande maioria. Oskar os coloca fora da ordem burocrático-estética que comanda a economia do consumo que é organizada pela sedução ou pelo desejo. A indústria ”light” das Ongs, se assim podemos chamá-la, ainda não é uma que está estruturada pela moda.

Finalizando, para Metsavaht, a marca “Made in Brasil” deverá ser reconhecida mundialmente através de nossa criatividade, nosso uso consciente da nossa biodiversidade e pela nossa sensualidade. É um processo em andamento que será reforçado pela interconectividade global.

Suzana M. Sacchi Padovano é mestre em Design Industrial, titular do Studio Sacchi Designers e Consultora em design industrial do NUTAU/USP.

Esta palestra foi uma prévia do programa chamado Brasil Itália Desenvolvimento Sustentável 2009 criado por Adriana Gagliotti Fortunato que terá ainda este ano um Forum, cuja coordenação cultural será feita pelo Nutau/USP representado por sua consultora em design industrial Suzana M. Sacchi Padovano em conjunto com o Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, representado por sua coordenadora Roberta Simonetti.

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