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terça-feira, 30 de março de 2010

E quando não se trata de criação?

Chutando uma estimativa que partiu da minha própria cabeça, creio que 90% dos alunos dos mais variados cursos de Design pelo país e pelo mundo, entram na faculdade com a idéia de um dia se formarem e trabalharem na área da criação seja essa de produtos ou gráfica.
Confesso que desde que comecei a estudar design meu lado teórico sempre falou mais alto que o prático, e os caminhos que fui traçando foram me levando cada vez mais pra essa direção. Assim que entrei na empresa que hoje trabalho, meu chefe me disse: você gosta de pesquisa? eu gosto de pesquisa! Mas até então não tinha compreendido de prontidão o que era enfim a pesquisa a que ele se referia e talvez nem ele soubesse se expressar a ponto de um compreendimento imediato da minha parte.
Após dois anos de muitos tropeços pra aprender no dia a dia o que jamais aprenderíamos em qualquer faculdade, hoje sei que a tal pesquisa a que ele se referia, nada mais é do que a gestão de design em uma empresa.
A gestão de design envolve todo caminho que o produto percorre desde sua idéia até a criação do produto final, visando o lucro da empresa e a satisfação do cliente, a gestão faz com que a “roda gire” sincronizadamente. Isso envolve desde a escolha de um novo briefing, o que vai e deve ser lançado no mercado, cálculo de melhores materiais a serem usados, melhor aproveitamento das máquinas na fábrica, constantes pesquisas de novos materiais e ferragens assim como novos maquinários, novos fornecedores, pesquisas de estilo, de público, implantação de algum novo software, enfim, todo e qualquer subsídio para a criação de produtos inovadores e com qualidade e nem sempre isso significa que vc quem irá criar a estética do produto, é mais ou menos como um preparo para quem irá desenhar, já desenhar pensando em tudo que ele pode ou não fazer para que aquele produto de certo no mercado, é que poderíamos chamar de um minimizador de erros.
Com diversas tentativas frustradas de inserir um produto de nosso autoria, ou vendo a mesma situação de alguns colegas é muito comum culparmos o Brasil por não apoiar o designer/design brasileiro, porém algumas empresas não tem nem noção do que se trata e de como administrar de maneira rentável esse setor, por esse motivo muitas vezes o design é tratado como “frescura” ou apenas estético, perdendo assim toda sua força.
Lá fora a gestão desse setor já é algo muito claro no cotidiano de uma indústria, já está intrínseco na criação seja de uma nova ferramenta para jardinagem até um automóvel, e essa mentalidade já inserida nessas empresas faz com que fique muito mais fácil de se aceitar novas propostas vindo de novos designers, e como aqui nós não temos isso no nosso DNA industrial, muitas vezes acontece essa “estranheza” entre empresa e designer. Cabe em minha opinião a nós e toda essa nova geração de designers cada vez maiores, tentarmos elucidar isso de alguma forma, formando mais gestores nesse setor para que essas metodologias/sistemas possam ser implantados em nossas empresas, criando assim aos poucos essa cultura do design.
Alguém disse: A função do designer não é solucionar problemas, é propor soluções. E eu concordo.

Para saber mais: GERÊNCIA DE PRODUTOS – como tornar seu produto um sucesso. Do Fauze Najid Mattar e Dilson Gabriel dos Santos, é um livro bacana com bastantes exemplos e uma leitura fácil. (ps: eu faltei na aula de metodologia e não sei a maneira correta de se publicar o nome de um livro, com autor na frente, maiúscula e blá blá, me cansa... sorry)
Prometo um post melhor sobre o assunto depois, já que o sono não me permite mais racionar direito.

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