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quarta-feira, 24 de março de 2010

Vida de designer - Daniel Nishiwaki

Quando comecei o curso de desenho industrial confesso que não fazia idéia onde estava me metendo, assim que fui me tocando, decidi seguir a profissão de designer de produto. Minhas espectativas eram de ser um designer famoso, ter vários produtos no mercado, assim como Índio da Costa, Philippe Starck, entre outros.

Estava louco para começar minha triha rumo a fama, então nada melhor que começar desenhando catracas, isso mesmo, catracas! Daquelas de acesso de estádio. Tudo bem não eram móveis, mas confesso que aprendi muito na Western Controls. Em pouco tempo fui para o ramo moveleiro,  passei pela Mackey Móveis e Intelligent Table. Quando mergulhei no mercado de trabalho percebi, principalmente quando o foco é as indústrias  uma pequena diferença do que aprendi na faculdade para a prática, muitas indústrias confundem um desenhista industrial com um projetista cadista, levantando uma dúvida, será que as industrias brasileiras entendem o que um designer faz?

Fato é que nas indústrias muitos designers estão sendo utilizados como projetistas, fazendo desenhos técnicos, não que eu tenha nada contra, mas quando trabalhava assim me incomodava muito.
Quase um ano no ramo moveleiro, queria desenhar coisas novas, então fui pro ramo de Iluminação, na Itaim Iluminações, lá já havia sinais de um entendimento do que era design, mesmo assim estava longe das aulas da faculdade, brainstorming, sketches, estudos de forma, clínicas, nem sombra de design. Então o que acontece com o design? Como esses designers brasileiro conseguem trabalhar nesse mercado que nem entende o que é um painel semântico?

Fiquei desiludido, coincidiu com minha formatura, viagem, festas. Bom larguei tudo, fiquei dias e dias pensando, mas como não vivo de luz, arrumei outro trabalho e fui pro ramo de embalagens na NEFAB, decidi correr atrás de design por fora, mas como sem fazer idéia nenhuma de como fazer?
Eu idolatrava designers que desenhavam de tudo, mas procurava as indústrias, não é obvio?  eu tava procurando errado! Meu Deus precisava de todo esse tempo para perceber? Sim mas não me arrependo aprendi muito sobre processos de produção. Foquei em escritórios de design, e em pouco tempo estava no André Cruz Design & Ideias.

Um escritório de design... desenhos colados nas paredes e no teto, massinha, maquetes, mockups e protótipos espalhados pelo escritório, brainstorm, desenhar a mão! Parece bobeira mas eu nem sabia quanto tempo não fazia um desenho a mão.

Como é meu primeiro texto quis contar um pouco da minha trajetório. Vi os dois lados da moeda, apesar de que eu acho que o mercado de design no Brasil não se resume somente em dois lados.
A minha visão do mercado de design é que ele tem várias vertentes, tudo vai depender da forma como você (designer) quer trabalhar, o mercado das indústrias, em grande parte é trabalho de projetista, lembrando que existem empresas que já tem um departamento de design, mas se você trabalha em uma considere-se privilegiado, mas que existe mercado existe. Outro caminho é o que eu estou seguindo é em um escritório de criação, onde desenhamos pras indústrias, seja moveleira, luminárias, injetados, não importa,  o desafio está aí. Encontrei dessa forma o caminho para meu objetivo, confesso que em São Paulo não encontrei muitos escritórios de design de produto. Mas taí vem a questão de se você enxerga o copo meio vazio ou meio cheio. Através do escritório conheci alguns designers consagrados, Pedro Useche, Pedro Mendes, Sergio Faher, entre outros. Agora pense comigo, quantos designers brasileiros você conhece ou ouviu falar? Aposto que não completou as duas mãos. A minha visão para o mercado de design brasileiro é que está aberto, são pouco mais de uma dúzia de designers que estão desbravando o mercado, ensinando e abraçando as indústrias. É fato que a cada dia esses designers conquistam novos clientes e reconhecimento, que é bom pro design. Agora o que eu to fazendo pra essa história mudar, ninguem nos disse que o mercado pra design tava pronto, disseram que estava crescendo, mas esse crescimento não é também responsabilidade nossa como designers?
Hoje, eu voltei a acreditar no design, sei que é um caminho arduo, mas que não é impossivel, e eu vou atrás, com minha coragem e a cara de pau.

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