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quarta-feira, 31 de março de 2010

Gestão de Design - Como assim?

Este post na verdade é uma reflexão sobre o post da Alê.
Estive pensando sobre a questao por ela levantada, e posso ver muito bem isso no meu dia dia.
Como funcionário da Objeto Brasil, estou acostumado a lidar com todo tipo de designers, novos, velhos, bem sucedidos e mal sucedidos. Até os brilhantes e os não tão brilhantes assim.
A questão é o que todos tem em comum, o fato de terem a mesma profissão e o fato de terem que gerenciar suas vidas de forma a se venderem. "Como assim?" Alguém pode pensar.
Sim, vender.
Nós precisamos vender a cada dia, a cada momento, em cada situação. Temos que mostrar a cada momento que somos capazes, competentes, confiáveis. E claro, se seu chefe tiver uma memória fraca, essa tarefa pode se repetir muitas vezes no dia. rs.
Eu trabalhem na área de treinamento durante 3 anos, e portanto entendo bem de vendas e de relacionamento, sendo que eram os temas que eu mais tratava em sala, e vejo muita falta disto no nosso cotidiano. Certa mente brilhante, um ex-chefe sempre comentava: "Relacionamento é tudo!". E realmente o é.
Call centers são conhecidos por nós pelas ligações que nos fazem em momentos chatos, e sempre com as mesmas questões, pedindo para falar com os titulares das linhas e para confirmar informações, ou ainda para vender alguma coisa. E como são insistentes! Ainda bem que são. Eu ajudei a treinar este povo ensinando-os como devem argumentar.
Mas a rotina de um call center vai além do treinamento, várias sã o as ramificações e setores, e a palavra "gestão" é muito proferida nos corredores dos "sites" como são chamadas as unidades. É gestão para tudo: Gestão de pessoas, gestão de negócios, gestão de logístiva, gestão da gestão... E o processo que existe de administração é muito simples, baseia-se no conhecimento do negócio com um todo, e no conhecimento da sua importância dentro desse todo. Cada funcionário tem plena ciência da representatividade que possui e de como o negócio pode ser prejudicado caso ele coopere com alguma limitação. O planejamento que envolve a atividade com os devidos fatores imprevistos já cotados, e a execução dos planos de trabalho conforme a estratégia, fazem o trabalho e consequentemente o negócio funcionar, como um relógio, e mostrar resultados. Claro, lá dentro imaginamos estar em um inferno, porém dentro deste suposto inferno há uma estrutura milimetricamente pensada e calculada em todas as suas áreas, em tudas as suas ações e até o barulho, sim, o barulho das vozes dos operadores é lembrado e mensurado.
O que quero dizer discrevendo tudo isto para os senhores é que não vejo isto no design.
O processo criativo muitas vezes é tido como o fator principal da profissão, e sim, realmente o é, mas o cara que irá se destacar, é o que pode oferecer alternativas. O cara que sabe liderar uma equipe, o cara que sabe porque deve procurar outros fornecedores, o que entende e coopera com a administração do escritório, o que apaga as luzes ao deixar um ambiente, o que planeja seu projeto com vistas em redução de custo, o que procura não apenas ser designer, mas ser também um contador, um administrador, um entregador, um atendente...!
Este é o profissional de destaque hoje em dia.
Hoje, a garotada (não sei a idade dos senhores) sai da faculdade por volta dos seus 22, 23 anos e nunca tiveram experiência em mercado de trabalho, arrumam emprego em um escritório, começam a desenhar, a praticar algumas idéias no computador, e quando é necessário atender um cliente mais exigente, a vontade é de mandar o outro colega, ou não atender o telefone, ou ainda, tratar tudo por e-mail. E porque não ir receber pessoalmente aquele cliente? Porque não convida-lo para um café, ouvi-lo, entender seus questionamentos e saná-los?
Alguém tem alguma dívida de qual escritório o cliente irá ficar? Se com o dos caras que quiseram tratar tudo por telefone ou e-mail, aquele escritório onde o próprio designer o recebeu e o atendeu como se fosse seu melhor cliente?
Eu ficaria sem dúvida com a segunda opção. Afinal, não é um simples projeto que está me sendo apresentado, e sim uma estrutura inteira de suporte. Se eu percebo um interesse em me atenderem, posso imaginar que terei um pós venda eficaz, um suporte presente.
Isso é gestão. Isso é diferenciação. Isso, é vender você, designer.
Há tempos tento pensar em alguma coisa diferente para aplicar ao design, eu entendo muito bem da área de relacionamento com pessoas, se alguém precisar, estamos à disposição.

Abraços a todos!

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