header_img

segunda-feira, 29 de março de 2010

Viver de royalties, ou viver para os royalties?

Caros colegas,

Posso dizer que 50% da minha renda atual vem dos royalties, o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Royalties não são essa maravilha toda, não são mesada, nem te dão segurança.

Em primeiro lugar, devo esclarecer que quase todos os meus trabalhos vão para clientes estrangeiros. Vocês sabem o quanto é difícil receber dinheiro do exterior?

O dinheiro, quando é enviado, não vai para sua conta bancária; Fica travado no Banco Central, à espera de toda documentação que comprove a origem lícita desse dinheiro. Depois que você junta toda a documentação, se estiver em outra língua, tem que pagar um tradutor juramentado para traduzir para o português. Depois de enviar toda a documentação para o Banco Central, o jeito é esperar a aprovação da liberação do dinheiro, o que nem sempre acontece da primeira vez. Vale à pena lembrar que o dinheiro, se não for liberado rápido, retorna para a conta de quem enviou em 30 dias, com desconto de 15% em impostos. É comum isso acontecer e você ter que ligar para o cliente pedindo que reenvie a quantia, agora com um valor significativamente menor.

Quando o dinheiro é liberado, finalmente, o banco desconta 28% em IR e outras taxas incompreensíveis.

Viram como funciona? Agora, imaginem um cara como eu, que tem uns 23 produtos fabricados e vendidos fora. Cada remessa é feita em uma data, algumas trimestrais, outras semestrais e anuais...Conseguem imaginar a novela? As horas perdidas com burocracia? Passo pelo menos 2 dias inteiros por mês dentro de um banco, isso, quando não estou ensinando a gerência sobre o processo, pois quase ninguém o conhece.

Além disso tudo, várias companhias se "esquecem" de enviar os royalties na data certa, então você tem sempre que estar atente e disposto a cobrar.
 Numa boa? Hoje em dia prefiro, sem a menor dúvida, receber uma quantia fixa por projeto e ficar livre disso tudo. É um alívio, na verdade, quanto cobro um preço fixo por um produto, pois, neste caso, me esqueço dele para sempre e não tenho mais aborrecimentos, além de poder contar com uma quantia bem mais significativa, que funciona como capital de giro em meus outros investimentos e projetos.

Infelizmente, "eles" não ensinam isso nas faculdades pois, na verdade, mais de 95% dos nossos queridos professores não tem nenhuma experiência de mercado.

.